Rio de Janeiro - O ministro da Defesa, Waldir Pires, disse ontem que o governo está ''lutando incessantemente'' para garantir a viagem de brasileiros com bilhetes da Varig, diante dos cancelamentos de vôos da companhia, e pode reembolsar as empresas brasileiras que estão endossando as passagens. No entanto, afirmou que a prioridade é dos passageiros que estão no exterior com a volta ameaçada. Ele estima que sejam mais de 30 mil. O ministro disse que a intenção do governo é valorizar a instituição da concessão pública ao garantir a validade dos bilhetes e confirmou que aviões da Aeronáutica serão empregados nas situações críticas.
''Uma empresa que é concessionária do serviço público vende bilhetes e a população precisa acreditar que eles são válidos. Se ocorrer um colapso, de qualquer jeito esses bilhetes devem e precisam ser honrados'', disse o ministro, acrescentando que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) tem contado com a compreensão das outras companhias para encaixar passageiros em seus aviões.
Ontem, a Justiça do Rio de Janeiro decidiu invalidar o leilão de venda da Varig para o TGV (Trabalhadores do Grupo Varig) devido à falta de garantias de que a proposta de R$ 1,01 bilhão seria cumprida e também pelo descumprimento do edital, que previa a injeção de US$ 75 milhões na empresa aérea até ontem.
O juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8 Vara Empresarial do Rio, decidiu encaminhar o processo para análise do Ministério Público e da administradora judicial da empresa aérea, a Deloitte. Segundo o juiz, há agora três caminhos a serem seguidos: a falência da empresa aérea, a realização de um novo leilão ou a realização de uma nova assembléia de credores para avaliar novas propostas de compra.
Desde a última quarta-feira o TGV (Trabalhadores do Grupo Varig) já havia sinalizado que não conseguiria fazer a injeção dos US$ 75 milhões necessária para a continuidade dos vôos da empresa aérea. O juiz Ayoub esperou durante todo o dia de ontem mas o pagamento acabou não sendo depositado.
A Varig suspendeu 50% de suas rotas internacionais e 30% das nacionais e tem cancelado mais de 100 vôos por dia.

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