São PauloA Varig deve ser a próxima companhia aérea a entrar no páreo pelo espólio da Transbrasil - embora o Departamento de Aviação Civil (DAC) tenha informado ontem que o cancelamento da concessão da companhia ‘‘não é automático’’ após 30 dias sem voar, a serem completados hoje. A proposta deverá ser protocolada no DAC e consiste na incorporação da Transbrasil pelo grupo Varig, incluindo os hangares e as autorizações para operação de linhas, mas só depois da liquidação da companhia.
Nas últimas semanas, a direção da Transbrasil foi procurada pelo presidente da Gol, Constantino Júnior, e pelo presidente da TAM, Daniel Mandeli Martins, que apresentaram suas propostas para absorver as linhas e a estrutura de terra da companhia fundada por Omar Fontana. Enquanto as conversas com a Gol parecem não ter vingado, a alternativa apresentada ao governo pela TAM, que inclui a absorção de 1,2 mil dos cerca de 2 mil funcionários, conta com o apoio do Sindicato dos Aeronautas.
A nova proposta chega no dia em que, pela legislação aeronáutica, abriu-se a possibilidade de o DAC cassar a concessão de exploração do transporte aéreo regular de passageiros da Transbrasil, que não opera seus vôos desde 3 de dezembro.
De acordo com um dos executivos envolvidos na elaboração da proposta da Varig, o plano envolve uma ‘‘engenharia complexa’’, com alterações na estrutura administrativa da própria Varig, que ganharia mais agilidade. A saúde financeira do grupo seria garantida por um grupo de credores, entre os quais a GE Capital, empresa de leasing de aeronaves que chegou a pedir a falência da Transbrasil este ano. ‘‘Nossa avaliação é de que só os slots (autorizações para pousos e decolagens) valham em torno de R$ 150 milhões’’, disse a fonte à AE.
O patrimônio líquido negativo é o maior empecilho para acordos que permitam a retomada das operações da Transbrasil. As dívidas foram avaliadas há mais de dois meses pela direção da empresa em R$ 910 milhões. Mas só os mais recentes débitos trabalhistas já estariam na casa dos R$ 25 milhões, incluindo três meses de salários e o 13.º dos funcionários, além das indenizações de cerca de mil demitidos nas últimas semanas.

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