Rio de Janeiro - A Varig aposta todas as fichas na proposta de compra de US$ 400 milhões (R$ 880 milhões) feita pela ex-subsidiária VarigLog, que será votada em assembléia de credores no próximo dia 2. Mas, até lá, vai atacar em outras frentes. Segundo uma fonte, a empresa tentará equilibrar o caixa com troca de recebíveis do programa de milhagem Smiles acertada com o fundo Matlin Paterson. Nesta segunda-feira, irá ao BNDES discutir alternativas de médio prazo e acompanhará reunião do conselho da BR Distribuidora, a quem pediu carência no projeto de ''acordão'' com credores. Encaminhará, ainda, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro de um fundo para receber novos aportes - esta, uma solução típica de mercado, que pode levar, contudo, pelo menos dois meses para decolar.
''Não há desespero, nem plano contingencial. Trabalhamos em várias hipóteses e segunda-feira vai ser um dia relevante'', disse à Agência Estado o executivo Marcelo Gomes, da Alvarez&Marsal, firma americana contratada pelos credores para gerir a reestruturação da empresa. Segunda-feira, a Varig estará com um olho num encontro no BNDES e outro na reunião da BR Distribuidora, que deverá oficializar resposta ao pedido de prazo de 60 dias para quitar o fornecimento de combustível, hoje pago antecipadamente.
A estatal exige garantias e diz que é temerário conceder prazo. ''É um absurdo'', rebate Gomes. O executivo explica que a BR se habilitou como credor classe 2 (com garantias) na recuperação judicial da empresa e que a dívida antiga (repactuada) está garantida por recebíveis de cartão. ''A garantia que temos para pedir prazo são do mesmo tipo e, agora, ela não aceita'', diz ele, lembrando que o acordão para suspensão temporária de pagamentos correntes, e retomada mais à frente, depende de todos os credores.
''O presidente da Infraero tem sido superaberto no sentido de negociar e indicar que se o TCU (Tribunal de Contas da União) não for um problema, a Infraero é que não vai ser'', comentou. A estatal alega ter dificuldade em aceitar um perdão temporário de despesas correntes por conta de obrigações legais. A postergação de pagamentos vai de dois a sete meses, conforme o fornecedor. A Varig indica que as empresas de leasing estão colaborando. Na última quinta-feira foi a vez de os trabalhadores concordaram com o corte de 2,9 mil empregos e de 30% dos salários.
A proposta de compra da VarigLog - empresa da Volo Brasil, que tem o Matlin Paterson como acionista - e o acordão são as duas principais frentes de luta. Embora o executivo da Alvarez&Marsal não confirme, a informação é de que o chinês Lap Chan, acionista do Matlin, garantiu um suporte de caixa para a empresa até o início de maio. Ele pagaria antecipado à Varig, com uma taxa de desconto, o que ela tem a receber nos próximos meses em remuneração das parceiras comerciais usam as milhas do Smiles para premiar clientes.
Governo - Às vésperas do feriado religioso, a empresa enfrentou três revezes sucessivos no governo: a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vetou o acordo operacional com a OceanAir; no dia seguinte a Secretaria de Previdência Complementar (SPC) interveio no fundo Aerus; e, depois, o presidente da BR, Rodolfo Landim, rebateu críticas da empresa e descartou conceder prazo à Varig.
Uma fonte detalha o que a Varig quer do BNDES. Nas sondagens ao banco, são abordados três caminhos: eventual separação e venda isolada do Smiles, com financiamento do banco ao comprador; uma cisão do negócio atual numa companhia para o doméstico e outra para o internacional, com entrada do banco na voltada aos vôos internos, junto com investidores; e tentativa de convencimento para o banco entrar, com investidores, no fundo previsto no plano de recuperação - cuja montagem começará a ser estruturada ainda esta semana.
O BNDES diz que não houve pedido formal da companhia e já apontou que não fará operação de socorro. Mas sabe-se que representantes da empresa foram ao banco nas últimas semanas mostrar o andamento da tentativa de acordo com os credores e discutir as idéias.
A Varig prega que não quer injeção de dinheiro público na veia, ainda que o caixa da empresa esteja debilitado. O presidente da empresa, Marcelo Bottini, repetiu reiteradas vezes que se procura ''solução de mercado''. A estruturação de um Fundo de Investimento e Participação (FIP) - cuja tramitação de registro deve começar na CVM esta semana - é a alternativa aprovada pelos credores e que consta do plano de recuperação judicial. Este fundo abrigará inicialmente as ações da Fundação Ruben Berta (FRB) e depois abrirá cotas, via leilão, para credores e investidores.

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