O mundo da cerveja é tão rico quanto o do vinho. A garantia é do empresário Rodolfo Alves, proprietário da Mr. Beer. Prova disso, segundo ele, é a cerveja frisante Kriek Boom, produzida na Bélgica. Fabricada sem levedura, ela é fermentada a partir de microorganismos presentes no ambiente. ''Chamamos de cerveja viva, porque ela fermenta desde o início do processo de produção até quando é colocada na taça'', explica. Isso mesmo, a Kriek Boom não é servida em copo. Por causa desse processo de fermentação, ela é tampada com rolha. ''Uma tampa comum não suportaria'', justifica o especialista.
Entre os ingredientes desta bebida belga, está a cereja. Por isso, em quase tudo, menos no gosto, ela é parecida com uma champagne rose. Nas degustações das quais participa, Alves costuma servi-la com bolo de chocolate. Uma garrafa de 600 ml custa cerca de R$ 40.
Entre as cervejas especiais, existe também as defumadas, a exemplo da Rauchbier, fabricada na Alemanha. Na verdade, a cevada seca é que passa por um processo de defumação. ''É comum a pessoa abrir a Rauchbier e dizer que tem cheiro de bacon'', conta. Mas o empresário garante que é só o cheiro. ''Esta cerveja acompanha bem um bom charuto ou uma feijoada'', indica. O preço gira em torno de R$ 35 (600 ml).
Outra cerveja muito peculiar é a Deus, fabricada na Bélgica, mas envazada na região de Champagne, na França. É uma das mais caras do mundo, cerca de R$ 230 a garrafa. O preço, segundo Alves, se justifica por seu demorado processo de fabricação. ''Ela passa pelos mesmos processos da champagne. Depois de envazada, leva cerca de um ano para estar própria ao consumo. Todos os dias, durante esse período, sua garrafa tem de ser virada como um bom vinho.''
De acordo com o dono da Mr. Beer, o Brasil ainda está dando os primeiros passos na produção de cervejas especiais. A nacional mais antiga é a Colorado, fabricada em Ribeirão Preto (SP), que foi lançada há menos de uma década. Outra bem apreciada pelos amantes da bebida é a Bamberg, feita em Sorocaba. ''Ambas são muito boas'', garante.
Público seleto
Na Mr.Beer de Londrina, aberta mês passado na Avenida Maringá (Zona Oeste), a cerveja mais barata é a brasileira Banberg Pilsen, que custa R$ 9,90. Já a mais cara, a belga Deus, sai por R$ 226. Segundo o franqueado Ardinal Teixeira Ervilha, o Dino, os públicos da loja ''são o A e o B''.
No local, é possível encontrar, além das brasileiras, cervejas especiais belgas, tchecas, alemãs, canadenses, autralianas, holandesas, francesas, russas, espanholas, irlandesas e inglesas, entre outras.
Dino se diz satisfeito com o movimento de clientes, tendo em vista que ela foi aberta há poucas semanas. ''Vendemos R$ 3,5 mil no último final de semana'', afirma. (N.B.)

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