Brasília - As variedades produzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e as obtidas em parceria ocuparam 44% da área plantada no País nas últimas cinco safras de algodão, trigo, arroz, milho, soja e feijão. O dado, que ressalta a importância da pesquisa para os bons resultados da agropecuária brasileira, foi divulgado ontem durante solenidade de comemoração dos 31 anos da Embrapa.
De acordo com o ''Balanço Social 2003'', lançado durante o evento, a introdução de novas variedades de sementes contribuiu decisivamente para que, entre 1975, dois anos após a criação da empresa, e 2001, a produção brasileira dos cinco principais grãos (trigo, arroz, milho, soja e feijão) crescesse 148%, com aumento de 34% na área plantada e alta de 84% na produtividade.
A publicação mostra ainda que, só no caso da soja, carro-chefe da produção nacional, a estatal responde pelas variedades produzidas em metade da área de cultivo. Na safra atual, foram plantados 21,069 milhões de hectares com soja. As cultivares da Embrapa respondem, ainda, por 41% da área plantada com arroz inundado, 80% com arroz de terra alta, 45% com feijão e 46% com trigo.
Estima-se que em 2003 os impactos econômicos gerados por cultivares da estatal somaram R$ 5,5 bilhões. Só no ano passado foram licenciadas 463 mil toneladas de sementes, um aumento de 71,4% em relação ao ano anterior. Isso significou um incremento de 25% nos contratos e a arrecadação de 13,8% a mais de royalties da iniciativa privada.
Numa avaliação que considera os benefícios que a pesquisa gera para produtores e consumidores, o lucro social da Embrapa somou R$ 11,6 bilhões em 2003, segundo o balanço. A estimativa considera os ganhos decorrentes do aumento de produtividade, redução dos custos de produção, expansão da produção em novas áreas e agregação de valor a produtos, calculados comparativamente a tecnologias usadas anteriormente.
O balanço traz pela primeira vez informações sobre o impacto social e ambiental da pesquisa agropecuária. O impacto social aponta a criação de novos empregos, devido à adoção de tecnologias.
Já a avaliação do impacto ambiental leva em consideração o que de fato foi praticado ou inserido no ambiente e a relação com a modificação e a recuperação dos ecossistemas. Os resultados dessa avaliação, segundo o documento, foram positivos, sugerindo que as inovações tecnológicas apresentadas são recomendáveis para aplicação no campo.

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