Guto Rocha

Mário CesarAlertaWilson e Ruano mostram planta contaminada pelo mosaico das nervurasO plantio de variedades de algodão não recomendadas pelo Iapar e introduzidas de forma clandestina no Estado pode comprometer a produção do Paraná na atual safra. O alerta está sendo feito por pesquisadores do Iapar de Londrina, responsáveis pelo Programa Algodão do instituto, que afirmam que produtores utilizaram sementes de variedades suscetíveis à doença conhecida como ‘‘mosaico das nervuras-Ribeirão Bonito’’.
Segundo o líder do programa, o melhorista Wilson Paes de Almeida, cerca de 10% da área ocupada com lavouras de algodão foi semeada com as variedades Deltapine Acala 90, de origem norte-americana, e ITA-90, desenvolvida a partir da Deltapine, que são ‘‘altamente suscetíveis’’ à virose. A variedade ITA-90 é 4,2 vezes mais suscetível ao mosaico da nervura do que a IAC-22, recomendada pelo Iapar.
O fitopatologista Onaur Ruano observa que já em 1993, durante a 7ª Reunião Nacional do Algodão, realizada em Cuiabá, ele alertou para o perigo que a entrada de novas variedades representava para a cultura. Na época, ele argumentava que a virose Mosaico das Nervuras, identificada na década de 60 em São Paulo, já havia desaparecido porque o País só utilizava variedades resistentes.
Almeida explica que como o Paraná cultivava até a safra passada apenas as variedades recomendadas, a doença não havia se manifestado. Agora, com a introdução das variedades Deltapine Alcala 90 e ITA-90, mesmo as variedades mais resistentes estão sendo atingidas. ‘‘Com a entrada de materiais suscetíveis houve uma explosão do inóculo e as variedades, antes tolerantes, passaram a apresentar a doença em níveis preocupantes’’, comentou.
No ano passado, segundo Almeida, a Associação Paranaense dos Produtores de Mudas e Sementes (Apasem) consultou o Iapar para saber sobre a viabilidade de se produzir sementes das duas variedades. Mas o instituto se posicionou contra por causa da suscetibilidade das variedades à doença, apesar de as variedades apresentarem bom rendimento de fibra, boas características industriais da fibra e a possibilidade de se utilizar colheita mecânica.
O entomologista do Iapar, Walter Jorge dos Santos, disse que a virose é transmitida pelo pulgão. ‘‘O problema é que o produtor não está avisado para combater o pulgão como vetor de doenças, mas sim como praga’’, comentou. Por isso, ele afirma que o Manejo Integrado de Praga (MIP) do algodão pode ser comprometido. ‘‘Somos obrigados a fazer recomendações para que se aplique mais venenos e em doses maiores’’, comentou.

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