Varejo tradicional perde espaço
Agência O Globo
De São Paulo
O fechamento da Lojas Brasileiras (Lobrás) e a falência do Mappin são mais um lance da crise do varejo tradicional no País, que vem perdendo espaço para os hipermercados e grandes redes de lojas especializadas.
Lobrás e Mappin elevam para 19 o número de cadeias de lojas que foram à concordata ou fecharam as portas desde o início do ano, segundo levantamento da Eletros, entidade que reúne os fabricantes de produtos eletroeletrônicos instalados no Brasil. Desde 95, esse número chega a 140.
Não há estatísticas precisas sobre as baixas causadas por esse processo no mercado de trabalho. Mas apenas Lobrás, Mappin e G. Aronson, para citar as últimas que fecharam suas portas, deixaram sem emprego cerca de 7 mil comerciários. Isso equivale ao desemprego que seria causado caso a Ford decidisse fechar suas três fábricas em São Paulo e deixasse o País.
Os problemas enfrentados por algumas redes resultam de uma série de erros operacionais. Os mais graves, segundo o sócio-diretor da empresa de consultoria de varejo Gouvêa de Souza & M.D., Luiz Fernando Biazetto, são a má administração e o esgotamento do modelo de lojas que trabalham com grande variedade de produtos sem foco específico. O caso da Lobrás é um exemplo dessa excessiva diversidade. A G.Aronson, por sua vez, faliu porque seu proprietário (Girsz Aronson) era um grande comerciante, porém um péssimo administrador. Já os problemas do Mappin foram fruto da combinação dessas duas distorções, diz Biazetto.
Animadas com a explosão de consumo nos primeiros anos do Plano Real, muitas redes decidiram assumir o financiamento das vendas, em vez de transferir o risco para bancos. O resultado foi que o consumidor acabou perdendo o controle das dívidas, tornou-se inadimplente e as lojas ficaram sem capital de giro. O tombo nas vendas acabou de enterrar muitas delas.
Os hipermercados e grandes redes com boa saúde financeira estão ocupando os espaços deixados por empresas que faliram, pediram concordata, fecharam pontos de venda e sofreram redução no fornecimento de mercadorias. O problema é que os sobreviventes se concentraram num número cada vez menor de redes. Entre elas, estão Ponto Frio, Casas Bahia e algumas redes regionais, como a paulista Lojas Cem.





