Varejo teve queda de 11,7% em 5 anos
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terça-feira, 17 de junho de 2003
Agência Estado 
Rio A queda na renda e a retração do consumo das famílias derrubaram o faturamento e o salário médio do varejo entre 1996 e 2001, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O comércio varejista reduziu o faturamento em 11,7% no período, enquanto o rendimento do trabalhador no setor caiu 13,8%.
A chefe do departamento de comércio e serviços do IBGE, Vânia Prata, disse que o principal motivo para a queda no faturamento varejista foi o encolhimento da renda dos brasileiros. Ela destacou também que 1996 foi um ano bom para o comércio, já que havia um entusiasmo para consumir após o que chamou de ''demanda reprimida pré-Plano Real''.
O presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Sebastião Mauro Figueiredo Silva, lembrou que a partir de 1997 o País foi obrigado a enfrentar sucessivas crises no mercado internacional.
Muitas dessas batalhas foram travadas com a defesa dos juros altos, o que acabou gerando impacto nas vendas a prazo. Ele disse que os dados do IBGE estão de acordo com os apurados pela Confederação. No que diz respeito ao salário, destacou que a queda na renda foi um fenômeno registrado em praticamente todo o setor produtivo.
No total do comércio, que engloba varejo e atacado, o faturamento cresceu 14,2% entre 1996 e 2001, mas o salário apresentou queda de 3,9%. Os resultados nesse caso foram influenciados pelo atacado, que aumentou em 43,1% a receita no período, enquanto o salário caiu 5,6%.
O técnico do departamento de comércio do IBGE, Guilherme Telles Júnior, disse que os resultados do atacado foram puxados pelas empresas atacadistas de combustíveis (distribuidoras), que aumentaram em 86,9% sua receita líquida entre 1996 e 2001, enquanto as varejistas (postos de gasolina) registraram expansão bem inferior, de 39,9%.
Ele ressaltou que o número de distribuidoras do setor cresceu desde a abertura do mercado de petróleo e gás, no início de 2000. Além disso, a variedade de combustíveis e derivados comercializados no atacado, segundo a pesquisa, é bem maior, incluindo, além de gasolina e álcool (ambos exclusivos no item varejo), querosene de aviação, diesel e álcool combustível.
O levantamento apontou 1,28 milhão de empresas comerciais em 2001, sendo 1,07 bilhão no varejo. O faturamento dessas empresas, que ocupavam 5,8 milhões de pessoas naquele ano, atingiu R$ 500 bilhões. A pesquisa mostrou também que 34,3% das empresas varejistas estiveram voltadas, em 2001, para a comercialização de produtos alimentícios, ocupando 35,1% da mão-de-obra e 41,1% da receita líquida de revenda total do varejo. O segmento de hiper e supermercados, que representa apenas 0,9% das empresas varejistas, respondeu, sozinho, por 30,5% do faturamento do varejo.


