O varejo paranaense amargou uma queda nas vendas no mês de fevereiro de 7,41% em relação ao ano passado. Havia uma expectativa de que o desempenho fosse negativo, mas os varejistas não esperavam uma retração tão acentuada. A pesquisa conjuntural da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) mostra que apenas os setores de móveis, decoração e utilidades domésticas (14,96%) e de calçados (6,51%) apresentaram um aumento de faturamento e no acumulado do ano também são os únicos com saldo positivo.

"A queda é natural de janeiro para fevereiro. O que surpreendeu foi o resultado no comparativo com o ano passado. Estávamos esperando um resultado de mais neutralidade", afirmou Rodrigo Sepulcri Rosalem, diretor de Planejamento e Gestão da Fecomércio. Ele acredita que o número de dias úteis reduzido (2017 teve um a menos) tem um certo impacto, mas não justifica uma queda de mais de 7%.

O comércio do Estado acumula perdas de 3,95% no primeiro bimestre de 2017. Os piores rendimentos foram observados nos ramos de livrarias e papelarias (-15,49%), combustíveis (-13,3%), autopeças (-11,04%) e pelas lojas de departamentos (-10,22%).

Apesar do baixo faturamento, os lojistas estão mantendo o quadro funcional. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o número de funcionários cresceu 1,23% e no acumulado do ano manteve-se estável, com 0,17%.

Os setores de móveis, decorações e utilidades domésticas e os supermercados contribuíram para a manutenção dos empregos no varejo. As lojas de móveis, decorações e artigos para o lar foram as que mais contrataram com uma alta de 18,72% na comparação com fevereiro de 2016 e de 18,09% no acumulado do ano. Os supermercados, por sua vez, ampliaram em 8,27% o número de funcionários ante fevereiro do ano passado e em 5,12% no bimestre.

Para Rosalem, a liberação do saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e uma redução da taxa de juros, ajudaram a impulsionar as vendas no setor de móveis. "O patamar de vendas de 2016 foi muito baixo, mas o uso do FGTS vai possibilitar a trocar do eletrodoméstico. O custo do crédito mais baixo também ajuda na efetivação de uma compra postergada", avaliou o diretor.

Ele também explicou que os setores em alta são mais suscetíveis as alterações de preços e as promoções e descontos oferecidos são um atrativo maior ao consumidor.

Imagem ilustrativa da imagem Varejo tem queda de 7,41% em fevereiro



RETRAÇÃO
O varejo amargou quedas em todas as regiões pesquisadas. O Oeste teve as maiores perdas, com vendas 12,39% menores neste primeiro bimestre do ano. Na sequência ficaram Maringá (-7,43%), Ponta Grossa (-6,44%), Sudoeste (-3,35%), Londrina (-2,04%) e Curitiba e Região Metropolitana (-1,15%).

O diretor acredita que as perdas menores em Londrina podem ter relação com a matriz econômica da região, mais industrializada do que o Oeste e Maringá, por exemplo. "A economia da região é mais diversificar e industrializada, e a indústria começou a mostrar reação. Essa sutileza pode ter puxado os dados de Londrina para baixo", afirmou Rosalem.

O que chamou a atenção, de acordo com Rosalem, foi a queda acentuada das vendas nos setores de concessionárias de veículos, que abrange maquinário agrícola (-14,76%) e combustíveis (-16,76%) no Estado. "As concessionárias e setores de bens duráveis foram os mais afetados pela crise e, acredito que esse desempenho negativo de fevereiro possa ter relação com o agronegócio. Esperamos que seja algo pontual e a partir de março tenhamos resultados mais positivos", disse o diretor.

LONDRINA
Em Londrina, a queda nas vendas de veículos foi mais leve (-1,41%). "As vendas, principalmente depois do Carnaval, melhoraram muito se comparado com o ano passado", afirmou Carlos Picchi, diretor da Vernie Citröen. Ele projeta um crescimento de 25% nas negociações em 2017. A média tem sido na faixa de 15 carros por mês. "Fizemos uma preparação para atrair os clientes e compensar as vendas", disse Picchi.

A retração das vendas no varejo na cidade ficou em 12,24%, em comparação ao mês de janeiro. O pior desempenho foi de móveis, decoração e utilidades domésticas (-28,51%). O setor com melhor desempenho foi de autopeças com saldo positivo de 5,01%, seguido de calçados (3,96%) e óticas, cine, foto e som (3,78%).

A expectativa do varejo para março é de um resultado melhor no comparativo com o ano passado, com um crescimento de dois pontos percentuais no faturamento para puxar um acumulado do ano positivo.

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