''Ser lojista ou estar lojista?'' A dúvida remete à filosofia, mas está diretamente ligada ao bom desenvolvimento do setor varejista e ao comprometimento dos comerciantes, conforme a consultora em planejamento estratégico e otimização de Recursos Humanos da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Maria Helena Magalhães. Segundo ela, o lojista precisa se conscientizar de que é a mola que impulsiona a engrenagem que move o varejo, se comprometer coletivamente e entender que ''ser'' lojista é muito diferente de apenas ''estar'', pois implica comprometimento.
''A responsabilidade dele é muito grande, tanto a indústria quanto todos os envolvidos na logística dependem do sucesso do lojista no mercado. Uma loja que fecha pode ser comparada a um dedo amputado, quem sofre é o corpo todo'', salientou a consultora. Dados da Alshop dão conta que mais de 50% das lojas que abrem, encerram as atividades com menos de três anos de vida.
Experiente em ministrar palestras para o segmento, Maria Helena afirmou que na hora de abrir o negócio o empresário tem que perceber que a atividade dele implica no andamento de outros segmentos. ''É um número incontável de pessoas envolvidas e que dependem daquilo: o vendedor que tira da atividade o sustento da família, o supermercado que recebe o dinheiro dele, o médico, a escola que ele matricula o filho...é uma relação de primeiro grau com diversos outros setores'', elencou a especialista. E completou: ''se for seguindo, o dinheiro volta de novo para a loja, é uma grande ciranda''.
Comprometimento - Diante desse cenário, a consultora pontuou que é preciso muito comprometimento do empresário na hora de abrir um negócio. Ela destacou que o planejamento não se limita apenas ao momento que antecede a abertura da empresa, mas deve ser constante e contínuo. ''É preciso transformar esse planejamento em programação e ainda envolver toda a equipe da empresa nessa rotina'', frisou.
Maria Helena acrescentou que além de capacitação, o lojista deve propor mudanças, estabelecer objetivos, montar estratégias que incluam todos os funcionários, unir o grupo. Atualmente, citou ela, algumas lojas já têm usado o sistema de comissionamento coletivo, que significa que todos os funcionários precisam se empenhar para o próprio bem, o que incentiva a cooperação. ''A vantagem deixa de ser individual e se instala uma cooperação de sucesso'', adiantou.
Esse sistema de coletividade, segundo a especialista, precisa ser estendido ao comércio varejista. ''Um comerciante precisa ajudar o outro e não torcer para que o negócio do vizinho não dê certo. Isso vale para as lojas de shoppings e de ruas. Imagine uma rua onde todas as lojas começam a fechar? O movimento no local será cada vez menor e o prejuízo para o comerciante muito grande'', frisou. Para minimizar esses problemas e alavancar um determinado local de comércio, uma boa alternativa é a implantação de uma associação de comerciantes. ''Eles poderão discutir melhorias e fortalecer o varejo'', disse a consultora.
Maria Helena esteve em Londrina na semana passada, ministrando palestras e prestando consultoria para lojistas de um shopping center da cidade. Ela atua há 25 anos na área.

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