O ajuste no mercado de eletroletrônicos já está batendo no varejo. A Casas Bahia, uma das maiores revendas de eletrodomésticos e eletrônicos do País, está fechando lojas que não alcançam vendas mensais superiores a R$ 200 mil, revendo a meta inicial de encerrar o ano com 250 pontos-de-venda e de faturar entre 7% e 10% a mais do que em 1996.
Por causa da desaceleração no mercado de eletroeletrônicos registrada no primeiro semestre, agora a empresa espera repetir desempenho de 1996, quando vendeu R$ 2,895 bilhões, e chegar em dezembro com 240 lojas, o mesmo número do final do ano passado. ‘‘Estamos racionalizando as lojas’’, diz o diretor da rede, Michael Klein.
A indústria de eletroletrônicos iniciou o processo de ajuste antes, já demitiu funcionários, deu férias coletivas e reduziu jornada de trabalho. Agora é a vez do comércio. O empresário explica que decidiu desativar os pontos-de-venda menos rentáveis e abrir novas unidades em praças mais fortes, como Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ), por exemplo. ‘‘Tínhamos duas lojas em Franca (SP) e fechamos uma porque o movimento caiu violentamente por causa do recuo nas vendas de calçados, a atividade principal da região.’’
Até agora, diz Klein, foram fechadas 13 lojas e abertas mais 13 em outras cidades, mas o número de funcionários está sendo mantido. Hoje a rede tem 11.763 empregados. Ele explica que esse processo de racionalização resulta também da duplicidade de lojas porque a empresa comprou no ano passado duas redes regionais, a Domus e a Modelar, que tinham filiais próximas das lojas da Casas Bahia, além de ter adquirido a Garson no final de 1995. A eliminação de lojas deficitárias deve ser contínua na empresa, diz o diretor.
Segundo Klein, com esfriada das vendas no varejo as lojas localizadas nas praças mais fracas foram as mais penalizadas. De janeiro a maio, a Casas Bahia faturou 2% a mais do que em igual período do ano passado e, em junho, as vendas ficaram abaixo do mesmo mês de 1996. ‘‘Ainda temos expectativa de compensação no segundo semestre.’’
A empresa, que deu uma freada nas compras em novembro de 1996 porque detectou que as vendas de Natal não atingiriam as expectativas, informa que está com os estoques ajustados à demanda. Desde de quinta-feira a rede realiza um saldão de 20 mil produtos a preço de custo. Klein explica que normalmente a empresa põe à venda os saldos de balanço a cada semestre.
Atualmente, a perda com a venda financiada oscila 6% e 7% dos créditos a receber e é o dobro da média histórica, em torno de 3%. ‘‘A perda está controlada, mas num patamar alto’’, diz Klein. A empresa está renegociando dívidas com clientes em atraso. A inadimplência acima de 30 dias representa 10% da carteira e superior a 90 dias, 7%. O calote alto, explica o empresário, está impedindo redução das taxas de juros do crediário, hoje em 6,9% ao mês, e alongamento dos prazos de pagamento, atualmente em até 15 vezes.

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