Varejo prevê mais capital de giro
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sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - A permissão para os bancos receberem cheques pré-datados como garantia de empréstimo deve facilitar a obtenção de capital de giro pelo comércio. Facilita bastante, porque agora temos mais segurança, diz o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Élvio Aliprandi. Desde abril de 1995 eles só podiam contar com as empresas de factoring para vender pré-datados se não tivessem capital próprio.
Os pré-datados respondem por dois terços das vendas em algumas lojas. De cada 100 cheques consultados em dezembro na Teledata - uma empresa de garantia de cheques -, 65 eram pré-datados. No início do Plano Real, em julho de 94, eram pré-datados apenas 55 em cada 100 cheques consultados.
A principal mudança, segundo Aliprandi, não é o aumento do crédito no mercado, mas a legalização de uma situação que já existia na prática. O mercado tinha encontrado subterfúgios, mas isso aumenta o preço, diz.
O governo só oficializou uma situação que já existia, concorda o economista Nelson Barrizelli, consultor de varejo. Barrizelli não acredita que a mudança vai aumentar o volume de recursos no mercado. Não há escassez, o problema são os juros, afirma. As taxas variam de acordo com o porte - e as garantias oferecidas - da empresa que faz o desconto.
A economista Mônica Hage, da Federação do Comércio, também acha que a situação muda pouco para os varejistas. O comércio só vai trocar a factoring pelo banco, diz ela. Uma pesquisa da entidade mostra que 88% do comércio da Grande São Paulo trabalha com cheque pré-datado, que já representa mais de 30% do faturamento dessas empresas.
A situação é diferente com os supermercados. O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf, acha que a mudança não vai interferir no plano das empresas do setor, que tentam reduzir o prazo concedido aos clientes.


