Varejo prepara índice para medir intenção de consumo
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sexta-feira, 29 de julho de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Um novo índice do varejo com abrangência nacional será divulgado mensalmente a partir do dia 9 de agosto. Com o objetivo de ser um importante termômetro para a economia, o Indicador Antecedente de Consumo (IAC) está sendo calculado pelo Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne as maiores redes de vários segmentos do setor no País.
O presidente da entidade, Flávio Rocha, proprietário da rede de lojas Riachuelo, disse que o índice foi criado a partir de um indicador similar com credibilidade divulgado há anos nos Estados Unidos. No caso do IAC, cerca de mil compradores das redes associadas ao IDV respondem a uma pesquisa de ''sentimento'' em relação ao consumo futuro e a compilação dessas respostas gera o resultado. ''Estamos trabalhando o humor dessas pessoas (os compradores) e é quase uma profecia auto-realizável'', explicou.
A divulgação do IAC será feita em evento da Associação dos Profissionais e Investidores do Mercado de Capitais (Apimec), no dia 9 em São Paulo, e a apresentação será feita pelas empresas de capital aberto vinculadas ao IDV. O instituto, que tem sede na capital paulista, foi criado em 2003 mas, segundo define Rocha, até então o trabalho era ''introspectivo''.
A discrição contrasta com o tamanho do faturamento das 28 maiores cadeiras de varejo do País associadas, que chega a R$ 80 bilhões anuais, ou 30% de todo o faturamento do comércio varejista brasileiro. Além da própria Riachuelo, o instituto reúne nomes como C&A, Renner, Pão de Açúcar, Carrefour, Wall Mart, Casas Bahia, Magazine Luiza, Insinuante, Ponto Frio, Mc Donald's e Bob's, além de outras cadeias espalhadas pelo Brasil. O índice será posteriormente detalhado por segmento do varejo, como alimentação, eletroeletrônicos e vestuário.
Informalidade - A concorrência do mercado informal é o principal problema enfrentado pelas grandes redes de varejo na atualidade, segundo Rocha. ''Verificamos que, para todas as redes, esse é o problema, isso nos une'', disse. ''Só é pior do que pagar impostos altos ter um vizinho informal'', acrescenta. Segundo ele, o custo para as empresas formais chega a ser 40% maior do que o das informais.
''Não existem siderúrgicas ou montadoras informais, mas o varejo se ressente muito disso'', disse, acrescentando que ''o varejo é o que mais sofre com o avanço do Brasil informal''. Rocha lamenta que a informalidade seja vista com simpatia pela população, como alternativa ao desemprego, argumentando que a estrutura ilegal envolve contrabando, sonegação e pirataria.
''Isso tira a competitividade do Brasil como um todo. As empresas legais são obrigadas a carregar a maior carga tributária do mundo civilizado, pagam o imposto que a outra metade não está pagando, mas os ilegais também não têm competitividade porque não têm acesso a mercado de capitais e tecnologia'', disse.


