A empreendedora Márcia Ultramar também vem sentindo os efeitos da crise, mas está otimista para os próximos meses
A empreendedora Márcia Ultramar também vem sentindo os efeitos da crise, mas está otimista para os próximos meses | Foto: Gustavo Carneiro

O varejo pet nacional apresentou alta de 4,6% em 2018 frente ao ano anterior. O setor fechou com faturamento de R$ 34,9 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo IPB (Instituto Pet Brasil). Apesar do resultado positivo, o brasileiro também está apertando o cinto na hora de ir ao pet shop. A venda de acessórios e camas reduziu e os tutores estão trocando os produtos mais caros por similares mais em conta e, em alguns casos, reduzindo a frequência das tosas.

O setor representa 0,36% da PIB nacional. O Brasil é o segundo principal mercado mundial, com participação de 5,2%, perdendo apenas para os Estados Unidos, com 40% do faturamento de varejo do setor. A estimativa do IPB indica que a população pet brasileira é de aproximadamente 139,3 milhões de animais.

Os varejistas percebem uma queda na venda de acessórios nos primeiros meses do ano. “As vendas de algumas coisas caíram de 10% a 20%”, disse Wilson Kaato, dono de um pet shop na zona leste. Mesmo com a diminuição nas vendas, o comerciante tem planos de investimentos para este ano.

Segundo ele, é em momentos difíceis que se deve aumentar o investimento para manter e atrair clientes. “Na crise todo mundo segura. Penso que você deve segurar quando está bem e daí na crise investe para ser diferente dos outros”, disse.

O CEO da startup VHSYS, Reginaldo Stocco, ressalta que o mercado pet está mudando de conceito e os pequenos negócios precisam apostar em gestão e trabalhar de formas diferenciadas para crescerem. “O mercado está passando por uma curva e é preciso investir em recorrência, em agregação de serviço, em marketing”, disse. "Os donos de pet shops menores precisam aprimorar a administração e a parte burocrática. Na maioria das vezes a gestão é feita de maneira manual, sem muito controle de faturamento, giro de estoque e controle de compras. Isso é um erro que pode ser fatal, especialmente quando a competitividade aumenta", aconselhou o CEO.

A empreendedora Márcia Ultramar, dona de uma loja que tem produtos de confecção própria, também vem sentindo os efeitos da crise, mas está otimista para os próximos meses. “O começo de ano é sempre difícil. A gente sempre prepara uma reserva para janeiro e fevereiro. É algo natural, mas este ano está muito pior. Mas acho que já caminha para melhorar”, comentou.

Os donos de pet shops de Londrina comentam, ainda, que também há um processo natural de queda dos serviços durante o inverno, mas que este ano a redução tem sido mais forte. A dona de casa Lucimeira Porccine Casarin dos Santos, 51, tutora da Shih-tzu Cristal, reduziu o banho semanal no pet para uma vez por mês. “Eu fazia um pacote mensal e ela ia toda a quarta-feira. Mas tive que apertar o cinto e agora dou três banhos em casa e um no pet”, contou. Casarin diminuiu seus gastos em torno de R$ 50 por mês.

A dona de casa também mudou a alimentação da Shih-tzu. Ela está comprando uma ração mais barata e trocou os biscoitos que mandava manipular. Cristal é obesa e exige uma alimentação controlada.

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