O varejo nacional perdeu força em abril e fechou com queda de volume de 0,6% em relação a março, na série com ajuste sazonal divulgada na quarta-feira (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A incerteza dos consumidores em relação ao futuro da economia, a menor capacidade de endividamento e a uma mudança nos hábitos de compra.

O volume de vendas vinha de queda de 0,1% em fevereiro, alta de 0,1% em março chegou em abril à retração de 0,6%. No acumulado de janeiro a abril, o comércio varejista avançou 0,6%, índice menor do que o de 1,4% em 12 meses, o que também mostra desaceleração do consumo.

De acordo com o IBGE, as vendas do comércio varejista estão 7,3% abaixo do pico alcançado em outubro de 2014. “Tem um longo caminho a ser percorrido para que o varejo retorne às taxas alcançadas em 2014. O ano de 2019 ainda não contribuiu para esse crescimento, na medida em que o varejo teve crescimento zero em relação ao patamar de dezembro de 2018”, diz a gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do órgão, Isabella Nunes.

Para o presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Fernando Moraes, o varejo andou de lado em abril na cidade e deve ter o mesmo resultado em maio. “Em janeiro e fevereiro havia um excesso de otimismo, mas o governo perdeu força a economia deu uma recuada e a turma desanimou. Precisamos de uma boa notícia, como a reforma da Previdência, porque nossa economia vive muito de expectativas”, afirma.

Moraes ressalta que a prova de que o setor caminha de lado é que a inadimplência não aumentou. “Na minha loja, o índice é o mesmo de outros momentos, então não está ruim.”

O diretor do Instituto Datacenso em Curitiba, Claudio Shimoyama, afirma que o endividamento do consumidor realmente não tem aumentado, porque, sem dinheiro, muitos optam por compras a vista. “Essa também é uma explicação para a queda no volume e a redução da receita, porque eles compram menos e ganham descontos ao quitar o produto.”

Por fazer pesquisas de mercado para a ACP (Associação Comercial do Paraná), Shimoyama diz que pôde identificar redução nas vendas na Região Metropolitana de Curitiba nas datas comemorativas, como Dia das Mães e Dia dos Namorados. “Por exemplo, calçados, que foi o segundo presente mais comprado no ano passado entre namorados, caiu para o quarto lugar, o que mostra que o tíquete médio diminuiu neste ano.”

POR ATIVIDADE

Tiveram alta em abril ante março apenas as atividades combustíveis e lubrificantes (0,3%), móveis e eletrodomésticos (1,7%) e livros, jornais, revistas e papelaria (4,3%). Por outro lado, ficaram negativos materiais de escritório, informática e comunicação (-8,0%), tecidos, vestuário e calçados (-5,5%), supermercados, alimentícios, bebidas e fumo (-1,8%), artigos farmacêuticos e de perfumaria (-0,7%) e outros artigos de uso doméstico (-0,4%).

Na comparação com o mesmo mês de 2018, recuaram as vendas de livros, jornais, revistas e papelaria (-25,6%), materiais de escritório, informática e comunicação (-10,5%), combustíveis e lubrificantes (-3,6%) e tecidos, vestuário e calçados (-3,2%). Nesse mesmo comparativo, as altas foram em artigos farmacêuticos e de perfumaria (3,8%) e outros artigos de uso doméstico (13,4%). Segundo o IBGE, essa última categoria inclui lojas de departamento e tem sido beneficiada pelo comércio eletrônico.

Imagem ilustrativa da imagem Varejo perde ritmo desde fevereiro e cai 0,6% em abril
mockup