Varejo online planeja crescer 50% ao ano
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de junho de 2005
Clarissa Oliveira<br>Agência Estado 
São Paulo - O varejo eletrônico brasileiro acredita que poderá manter um crescimento de aproximadamente 50% ao ano até o final da década, graças ao fortalecimento da cultura de compra pela internet, ao aumento da confiança do consumidor e à multiplicação do número de lojas que comercializam produtos na rede.
Depois de encerrar o ano passado com um crescimento de 47% nas vendas de bens de consumo, para R$ 2,1 bilhões, o setor acredita que poderá alcançar um faturamento de R$ 3 bilhões este ano.
As previsões, que consideram a venda de bens de consumo em lojas online e em sites de leilão virtual, foram feitas pelo presidente da Câmara-e.net, Cid Torquato. De acordo com ele, o segmento online já responde por 1,5% de todo o varejo brasileiro e reúne as condições necessárias para elevar progressivamente essa fatia ao longo dos próximos anos. ''Nenhum setor de comércio tem crescido a taxas de 50% ao ano'', afirma o executivo. ''Além disso, estamos falando de um público de alto poder aquisitivo, de uma elite do consumo.''
Indicadores do setor ajudam a confirmar as previsões do presidente da Câmara-e.net. De acordo com o Índice do Varejo Online (VOL), desenvolvido pelo grupo E-Consulting, a venda de bens de consumo pela internet movimentou R$ 568,9 milhões somente no primeiro trimestre, 49,17% a mais que no ano passado. Um levantamento semelhante realizado pelo e-Bit (que desconsidera sites de leilão virtual) mostra que o varejo online de bens de consumo faturou R$ 469 milhões nos três meses, 34% a mais que no mesmo período de 2004.
Torquato explica que um dos elementos que devem impulsionar o desempenho do segmento é o aumento do número de lojas, em especial as de pequeno e médio portes. Segundo ele, cinco grandes grupos controlavam 85% das vendas online até 2003, uma fatia que já foi reduzida para algo em torno de 80%.
''Estamos assistindo a um aumento da participação das lojas de pequeno e médio portes'', afirma. ''Novas empresas estão entrando nesse mercado, inclusive aquelas que apostam em ações locais e regionais e em setores não convencionais.''
Segundo o presidente da Câmara-e.net, o avanço dos meios de pagamentos eletrônicos também contribuirá para o crescimento das vendas virtuais. De acordo com o executivo, 84% das compras pela internet são feitas por meio de cartões de crédito, mas apenas 5 mil lojas online oferecem esse serviço. ''Cerca de 10 mil outras lojas trabalham com outros meios de pagamento, como o boleto bancário'', afirma.
A solução, segundo ele, é a introdução do uso de cartões de débito para compras online, o que poderá ocorrer ainda este. ''Esperamos que, até o fim do segundo semestre, as grandes lojas comecem a utilizar esse recurso'', afirma Torquato. ''Isso será positivo não apenas para os grandes grupos mas, principalmente, para os pequenos, que sofrem com o alto custo do cartão de crédito e com a falta de sistemáticas para a avaliação de crédito.''


