A maioria das empresas do varejo brasileiro possui até nove funcionários, tem um único estabelecimento e declara ter rendimentos abaixo dos R$ 754 mil ao ano. Os dados são de pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Segundo o estudo, isso mostra que a maior parte das empresas varejistas no País é formada por empresas de micro e pequeno porte.
Outros dados apontam que 73% dos negócios estão no mercado há mais de cinco anos. Para o SPC Brasil, isso demonstra que as empresas estão conseguindo se manter firmes mesmo frente a desafios como a alta carga tributária, a concorrência acirrada e a falta de mão de obra qualificada.
Renato Pianowski, economista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), observa que o cenário do varejo brasileiro não é mais como há anos atrás. "Antigamente, 50% das empresas faliam em menos de dois anos e 80% não chegavam a dez anos." Na sua opinião, hoje não faltam informações para que os empresários consigam levar seus negócios adiante. "Tem muita gente trabalhando junto, empresas juniores, professores, consultores, porque ninguém quer jogar seu dinheiro no lixo."
Para Pianowski, o varejo tem uma grande força na contratação de pessoas. "Lojas do varejo contratam dez, 15 pessoas. Mas se somar, dá muito mais gente que qualquer indústria."
Completando exatos cinco anos em 2013, a Retífica Belém, de Londrina, recebeu dois prêmios com Janete Macedo de Souza à frente: de Loja Revelação pelo Programa VarejoMAIS, do Sebrae/PR e do Sistema Fecomércio/PR, no ano passado, e o prêmio de "Mulher Empreendedora", pelo Fecomércio/PR e pela Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios (CMEG), em março.
Para Janete, o aprendizado constante junto a entidades apoiadoras como o Sebrae é que levou a retífica ao sucesso e aos cinco anos de vida. O marido e o filho têm anos de experiência em retífica. "Mas só isso não basta. Tem que ir atrás do aprendizado", completa a comerciante. Com apenas uma loja em Londrina, em 2013 Janete pretende investir em máquinas e contratar mais um funcionário.
Proprietário da loja de instrumentos musicais Armazém do Músico, Edno Frutos da Silva está investindo, neste ano, em mais uma loja em um shopping da cidade que deve inaugurar nas próximas semanas. Para isso, deverá contratar quatro ou cinco pessoas. A loja está no mercado há 17 anos em Londrina e conta com oito funcionários.
Silva conta que, na época em que abriu a loja, teve dificuldades para alavancar o negócio. "O ramo (de instrumentos musicais) ainda era muito fechado. Era difícil a negociação com fornecedores, as cifras eram altas. Inicialmente tivemos que fazer um investimento alto para ter um estoque." Hoje, porém, o cenário é outro. "Tem mais fornecedores, mais fabricantes, mais verba do governo."

Contratações e investimentos
De acordo com a pesquisa do SPC, este ano, 58% dos varejistas pretendem contratar ou efetivar funcionários, e 57% devem fazer investimentos no próprio negócio. Para o SPC, o resultado reflete a atual conjuntura econômica brasileira, com baixas taxas de desempenho, expansão da oferta de crédito e crescimento dos salários acima da inflação, que impulsionam o consumo e fazem os empresários se sentirem mais confiantes para investir.
A maior parte dos entrevistados deverá fazer investimentos na ampliação e melhoria das instalações (27%), na divulgação e marketing da empresa (17%) e na ampliação de estoques (13%).

Imagem ilustrativa da imagem Varejo no País é de pequenos e consolidados negócios
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