Varejo não reflete alta do juro
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
O consumidor ainda não percebeu o aumento da taxa básica de juros (Selic) no crediário. O gerente do Ponto Frio, João Antonio Oliveira, diz que não acredita que os juros da loja subam por causa da nova Selic, de 16,25% ao ano. A empresa trabalha atualmente com uma taxa de juros de 6,5% ao mês no pagamento a prazo, segundo ele. A mudança na taxa básica foi pequena. Não há motivo para repasses, afirma.
A gerente da Bolivar, Cleise Érica dos Santos, em Londrina, disse que a taxa de juros da empresa é de 5% ao mês há mais de dois anos. Não sei qual será a influência do aumento da Selic na taxa da loja. Primeiro, precisamos ver como se comportam os fornecedores, já que nossas compras também são feitas a prazo.
O gerente da Casas Pernambucanas, Aparecido Moreira, disse não ter sido instruído pela diretoria da empresa para não fazer nenhuma alteração. Na loja, os juros variam de 2% a 6% ao mês mais IOF, dependendo do prazo de pagamento. Mas também temos planos sem juros para pagamentos em até 45 dias.
Moreira disse que há um ano a Pernambucanas substituiu toda a linha de importados por produtos nacionais por causa da alta da moeda norte-americana. Não queríamos ficar fragilizados diante de qualquer alteração do dólar. No início, a substituição dos produtos foi difícil porque as indústrias brasileiras não estavam preparadas. Até aumentamos o número de fornecedores locais.
O casal Edson Lopes e Kelly Hummel foge dos crediários. Procuramos comprar sempre à vista para pechinchar, diz Kelly. Anteontem, eles conseguiram economizar cerca de R$ 5 na compra de uma sanduicheira fazendo pesquisa de preço. Quando o produto é mais caro o ideal é guardar dinheiro para comprar à vista, recomenda Lopes, repetindo um conselho que a maioria dos economistas dá aos consumidores como receita de economia.
A secretária Tereza Ortis deixou de comprar a prazo há seis meses justamento por causa dos juros altos. Não dá para fazer crediário, disse. Eu ganho R$ 300 por mês e meu marido R$ 400. Tenho uma filha e estou grávida. Não dá para fazer dívidas.
Embora saiba que está perdendo dinheiro, a vigilante Eliana Calabrez sempre recorre ao crediário para compra de roupas e calçados. Ela contou que o sonho de ter uma geladeira duplex tem sido adiado há anos. E do jeito que vão as coisas, vou demorar para comprar.


