Vendas nos supermercados foram impulsionadas pela queda nos preços dos alimentos e pelo aumento no número de trabalhadores ocupados
Vendas nos supermercados foram impulsionadas pela queda nos preços dos alimentos e pelo aumento no número de trabalhadores ocupados | Foto: Marcos Zanutto/2-01-2018



Rio e São Paulo - O varejo fechou 2017 no terreno positivo após dois anos de queda. A alta de 2,0% registrada no volume vendido no ano passado não recupera a perda de 10,2% acumulada em 2015 e 2016, mas a tendência é de recuperação gradual, avaliou Isabella Nunes, gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Embora tenha fechado o ano positivo, não recupera as perdas do passado. Mas mantém a recuperação gradual. Só o fato de ter fechado o ano positivo já mostra que há uma recuperação", apontou Isabella.

A base de comparação baixa explica parte do avanço no varejo no ano, mas a conjuntura econômica como um todo estava melhor em 2017 do que nos anos anteriores, lembrou a pesquisadora.

"Todos os indicadores econômicos melhoram, então o varejo vai acompanhar isso. Para além da base de comparação, aqui há melhora de juros, a renda também melhora", citou.

Em 2017, as vendas de supermercados foram impulsionadas pela queda nos preços dos alimentos consumidos no domicílio e pelo aumento no número de trabalhadores ocupados, ainda que estejam atuando na informalidade. A atividade de móveis e eletrodomésticos foi beneficiada pela redução nos juros do crédito ao consumidor, embora ainda estejam em patamar mais elevado do que em 2014.

"Móveis e eletrodomésticos recuperam perdas do passado. Tinha uma demanda reprimida dentro desse setor de consumo. Depois de dois anos de quedas, o setor se recupera com a melhora dos juros e a própria melhora do mercado de trabalho e da massa de rendimento", justificou Isabella.

Cinco entre as oito atividades do varejo tiveram expansão em 2017: supermercados, 1,4%; móveis e eletrodomésticos, 9,5%; tecidos e vestuário, 7,6%; artigos farmacêuticos, 2,5%; e outros artigos de uso pessoal e doméstico, 2,1%. As perdas permaneceram em combustíveis, -3,3%; livros e jornais, -4,2%; e equipamentos de informática e comunicação, -3,1%.

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, houve avanço de 4,0% no ano. As vendas de veículos subiram 2,7% em 2017, enquanto material de construção teve elevação de 9,2%.

ANALISTAS
O crescimento do varejo em 2017 confirma que o processo de recuperação da atividade está em curso, mas a retomada ainda precisa ganhar mais ritmo para recuperar a perda acumulada de 10,2% entre 2015 e 2016, avaliam os economistas consultados pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Em dezembro ante novembro, alguns analistas se decepcionaram com a queda da atividade, embora tenham pontuado o efeito negativo da antecipação das vendas na Black Friday e reforçado que o dado na comparação com dezembro de 2016 mostre clara melhora.

A avaliação é de que o consumo deve mostrar menor ímpeto no Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, mas seguir em trajetória de crescimento em 2018, impulsionado, principalmente, pelo efeito da queda do juro e do desemprego. Em relação ao PIB, o desempenho do varejo no quarto trimestre manteve as projeções inalteradas em alta de até 0,5%. Neste ano, o varejo deve contribuir para alta maior do PIB, entre 2% a 3,9%, depois da expansão de cerca de 1% estimada para 2017.

Apesar do comércio ter contado com fatores pontuais ao longo do ano passado, como a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), os analistas entendem que o ambiente econômico mais favorável contribuiu para reação da atividade ao longo do ano.

Em relação ao dado de dezembro na margem e do quarto trimestre, contudo, alguns analistas avaliam que a redução dos estímulos pode ter diminuído o ímpeto do consumo, embora os dados estejam contaminados pelas vendas na Black Friday que têm mudado a sazonalidade da série da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de outubro a dezembro, explicam os economistas.

Para os meses à frente, o efeito da queda do juro e do desemprego, principalmente, deve continuar a estimular o consumo em 2018. "O resultado de dezembro foi um pouco mais fraco do que esperávamos. No entanto, entendemos que a recuperação em curso dos mercados de trabalho e de crédito deve favorecer uma retomada das vendas neste ano", afirma o Banco Safra em relatório. O banco estima crescimento do PIB de 0,1% no quarto trimestre, 1% em 2017 e 3% em 2018.

Por enquanto, a GO Associados estima crescimento de 4,0% para as vendas do varejo restrito e alta de 6,0% para o ampliado em 2018.

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