As grandes redes de varejo jogam pesado contra os produtores de leite; as indústrias, por sua vez, não têm cacife para fazer frente ao achatamento de preços. Os produtores ainda enfrentam outro fator negativo: é que hoje a produção de leite é maior do que o consumo. Além do aumento da oferta, contribuiram ainda problemas como o apagão, no ano passado. Com o racionamento da energia elétrica, indústrias de bebidas lácteas e outros tipos de derivados, reduziram sua capacidade industrial aumentando a participação do leite fluído.
A médio e longo prazos, uma das saídas poderia estimular o consumo, mas isto é difícil numa conjuntura de baixos salários e desemprego.
O consumo per capita de leite e derivados no Brasil ainda é baixo (136 litro/ano) em relação aos padrões ideias, ou quando comparado aos de países mais desenvolvidos: mais de 400 litros na França e Itália; 250 litros na Argetina.
Volpi acha que o consumo per capita tem muito que crescer no Brasil; não tanto em leite fluído mas em outras bebidas lácteas, como iogurtes, além de queijos e outros itens.
A outra opção - para não depender exclusivamente do varejo - seria buscar a exportação. Para isso o setor industrial teria que ser melhor estruturado. E temos que trabalhar na melhoria da qualidade principalmente em termos de produtor.
O Brasil tem condições de ser competitivo no mercado internacional. Os maiores produtores, Nova Zelândia, Austrália e Argentina produzem a valores que vairam entre 13 centavos de dólar e 15 centavos de dólar/litro - bem mais do que recebe hoje o produtor brasileiro.
A CPI do Leite, que é presidida pelo deputado Orlando Pessutti, vem sendo acompanhada pelo presidente da Comissão Técnica de Pecuária Leiteira da Faep, Ronei Volpi. Foi instalada em dezembro do ano passado, logo depois da mobilização do setor produtivo, pedindo uma política nacional de fortalecimento da atividade.
Ao reunir produtores, cooperativas, indústrias de lácteos em geral e principalmente representanes do varejo, a Faep espera um debate em que cada segmento terá de assumir sua posição. Com base nessa radiografia do setor, serão sugeridas medidas que possam corrigir distorções. Se não houver solução e a sangria continuar, a tendência é a redução da atividade com pequenos e produtores desativando suas instalações e dispodo de plantéis que levaram anos para serem formados. Isto já está acontecendo segundo produtores.

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