SÃO PAULO - Os supermercados vêem como inevitável o repasse aos preços da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), de 0,20% sobre todo o volume movimentado em conta corrente. Os empresários do setor alegam que as margens de lucro já estão muito apertadas, e não têm como arcar com esse aumento de custos. ‘‘Não temos fôlego’’ diz o presidente da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), Omar Assaf.
O impacto sobre os preços deve ficar entre 0,5% e 0,6%, considerando todas as etapas da cadeia produtiva, desde a indústria. ‘‘Como eu posso ter um aumento de custos desses sem repassar aos preços’’, diz Assaf. Ele lembra que o mercado é que vai regular os preços, já que não há controle ou tabelamento pelo governo. As margens de lucro dos supermercados caíram no ano passado, de acordo com os empresários, e ficaram em torno de 1,2% do faturamento.
O economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial, também acredita que o repasse ao consumidor vai depender do mercado e da capacidade de venda de cada setor do comércio. ‘‘Setores que estão vendendo bem terão mais facilidade para repassar, outros não’’, afirma.
O diretor comercial das Lojas Cem, Natale Dalla Vecchia, diz que não pretende repassar a CPMF aos preços, embora atue no setor que mais cresce no comércio, o de eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
Devem aumentar também os preços dos serviços com o novo imposto. A Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA) já avisa que devem subir os preços dos aluguéis de carros. ‘‘Já absorvemos o aumento do preço do carro popular nos últimos anos, mas chega um momento em que fica insuportável não mexer nos preços’’, diz o presidente da ABLA, Antonio Cláudio Resende.

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