O desempenho do varejo em Londrina fechou 2013 com leve alta de 0,7% nas vendas, índice que indica estabilidade, segundo a Pesquisa Conjuntural do Comércio divulgada ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR). A cautela do consumidor diante de um cenário econômico de incertezas e a maior procura por promoções são apontadas como motivos.
Na média do Estado, as vendas cresceram 5,4%, puxadas pela região Oeste, que teve alta de 12,6%. Na sequência aparecem a Região Metropolitana de Curitiba (6,1%), Ponta Grossa (5,2%) e Foz do Iguaçu (4,2%). Maringá foi a única a ter resultado negativo, com queda de 2,8%. A Fecomércio-PR usa informações fornecidas por contadores de uma amostra de empresas e fornece números já com a inflação descontada, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A coordenadora de pesquisas da entidade, Priscila Andrade Takata, afirma que, em Londrina e em Maringá, houve uma tendência maior de se quitar dívidas para entrar em 2014 com o nome limpo. Nas outras regiões, o bom ano para o agronegócio ditou o ritmo das vendas. Mais de 50% do peso do índice no Oeste paranaense, por exemplo, ficou com concessionárias e combustíveis, puxados pela compra de maquinário agrícola e de veículos pesados.
Por setor, houve um bom desempenho em lojas de vestuário (14,4%), óticas (11,4%) e farmácias e perfumarias (7,8%), enquanto lojas de departamentos (-15,2%) e concessionárias (-5,3%) foram o destaque negativo. Parte da explicação para os segmentos que foram bem está na redução dos gastos por parte dos consumidores, segundo o economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Renato Pianowski. "A população sentiu o endividamento alto e a inadimplência, e o tíquete médio caiu muito nos presentes de Natal, por exemplo", diz ele, que também é professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A cidade teve alta de 1,2% nas vendas de dezembro sobre o mesmo mês de 2012.
No lado negativo, a coordenadora da Fecomércio explica que as revendedoras de veículos reduziram margens de lucro para tentar reverter perdas pela recomposição do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor, o que ajuda a explicar o resultado. "Nas lojas de departamento, temos identificado em todo o Interior um comportamento de queda, porque têm de oferecer produtos baratos e de qualidade com muitos fornecedores diferentes."
Pianowski considera que tanto a média paranaense quanto o índice de Londrina são pífios, mas, pelas dificuldades de 2013, têm de ser comemorados. "Creio que as vendas foram maiores em Londrina do que a amostra indica, mas isso espelha o que foi a situação do ano", afirma. Ele acredita que o consumidor está cada vez mais interessado em preços baixos, fato para o qual a Acil está atenta.

Estoques menores
Apesar das vendas estáveis, as compras feitas por comerciantes caíram 4,7% em Londrina, o que indica que os empresários desovaram estoques e conseguiram melhor capital de giro para este ano. Por outro lado, o número de funcionários também ficou estável, ao cair 0,1%, mas a folha de pagamento aumentou 5,9%. O economista da Acil mostra temor pelo resultado, ao dizer que os salários sobem em uma tentativa de aumentar a distribuição de renda, mas que a produtividade não cresce na mesma proporção.

Imagem ilustrativa da imagem Varejo fecha ano com alta de 0,7%
mockup