São Paulo - A atividade do comércio varejista encolheu 8,2% nos dois primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2015, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio. Em fevereiro, o indicador apresentou queda de 6,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Ante janeiro, com ajuste sazonal, o indicador apresentou alta de 0,6%.

De acordo com os economistas da Serasa Experian, o pequeno avanço de fevereiro sobre janeiro foi beneficiado pelo calendário bissexto deste ano, o que acabou gerando um dia a mais de movimento varejista em fevereiro de 2016. "Contudo, isto foi insuficiente para reverter a queda interanual (contra o mesmo mês do ano passado) da atividade varejista, sinalizando que a tendência do segmento ainda é de retração", afirmam, em nota.

Na abertura por áreas, no acumulado do primeiro bimestre, apenas o segmento de combustíveis e lubrificantes, com variação de 5,8%, está com resultado positivo em relação ao mesmo período de 2015. Todos os demais segmentos varejistas apresentaram retração: supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-5,9%); móveis, eletroeletrônicos e informática (-12,3%); veículos, motos e peças (-19,0%); tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-14,5%); e material de construção (-2,4%).

Já em fevereiro na comparação com janeiro a atividade varejista foi maior no segmento de material de construção (+1,6%) e no de combustíveis e lubrificantes (+0,3%). Houve estagnação no setor de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas e no segmento de móveis, eletroeletrônicos e informática. Ainda entre as diferentes áreas apresentaram queda os segmentos de veículos, motos e peças (-4,5%) e de tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-2,2%).

INFLAÇÃO
A inflação pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou menos no último mês, a reboque dos recuos dos preços no atacado e ao consumidor. A taxa caiu quase pela metade em relação ao mês anterior, surpreendendo até os mais otimistas analistas do mercado financeiro. A alta saiu de 1,53% em janeiro para 0,79% em fevereiro.

A soja mais barata ajudou a desacelerar os preços no atacado, enquanto os consumidores pagaram menos por energia elétrica e alguns alimentos, como tomate, batata e carne moída, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O freio pode continuar ao longo do mês de março e reduzir ainda mais a taxa de inflação em relação a fevereiro, segundo Salomão Quadros, superintendente adjunto de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).
"O IGP ainda tem algum espaço para desaceleração, então a gente pode esperar para março uma taxa menor do que essa de fevereiro", afirmou Quadros.

O pesquisador refere-se a um possível arrefecimento no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), como resultado de uma boa safra para as commodities agrícolas, como o milho. Passado o período de turbulências climáticas, os produtos alimentícios também devem pesar menos no bolso das famílias, ajudando a conter o Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

"A alta do grupo Alimentação veio menor em fevereiro do que em janeiro (1,07% em fevereiro ante 2,25% em janeiro), mas ainda está acima de 1%. Então tem espaço para reduzir também", disse Quadros.

Em fevereiro, a queda nos preços do petróleo e da soja ajudou a reduzir a inflação no atacado. Já os preços ao consumidor recuaram devido à redução na tarifa de energia elétrica, ao fim do choque de oferta das hortaliças e legumes e aos aumentos menores nos ônibus urbanos e nos gastos com educação.

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