O varejo no Paraná registrou retração de 8,68% no primeiro trimestre de 2016 em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo Pesquisa Conjuntural da Federação de Comércio, Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) divulgada ontem. A região de Londrina teve um arrocho maior que a média estadual, chegando a 9,08% de queda nos primeiros três meses do ano em comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com a pesquisa, que avalia doze setores, apenas os supermercados tiveram resultado positivo nos três primeiros meses de 2016, com alta de 4,12% na média estadual. Março também apresentou bons resultados quando comparado com o mesmo período de 2015 (+8,64%) e em relação a fevereiro de 2016 (+9,62%). O reflexo das compras de chocolates e preparo de refeições para celebrar a Páscoa explicam o resultado.
Se o comércio teve redução de 9,04% no mês de março ante o mesmo período do ano passado, com retração em dez dos doze setores, o resultado fica positivo quando se compara com fevereiro de 2016. O varejo paranaense apresentou alta de 9,31% em relação ao mês imediatamente anterior, tradicionalmente fraco nas vendas por conta de menos dias úteis.
Segundo a coordenadora da pesquisa, Pricila Andrade Takata, o reflexo da retração nas vendas é evidente nas demissões que ocorrem no comércio. No primeiro trimestre de 2016, o quadro de funcionários do varejo reduziu 6,69%. As comissões também diminuíram 5,55% no período. "O quadro de funcionários é a última coisa que o comerciante altera, mas os consumidores não estão gastando e nem se endividando. Isso leva às demissões e à redução nas comissões", afirma.

Nas regiões
O resultado do primeiro trimestre de 2016 só foi positivo na região Oeste, onde houve aumento de 1,04% nas vendas em comparação com 2015. Nas outras seis regiões o resultado foi negativo, mas mais forte na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), com retração de 13%, e no Litoral, com -12,4%. Enquanto Londrina apresentou encolhimento de 9,08%, Maringá teve um desempenho menos pior, com recuo de 1,98%.
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e professor da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR) Marcos Rambalducci diz que os tipos de atividades exercidas em cada região explicam os resultados da pesquisa.
Nesse sentido, a região Oeste sofre menos arrocho devido à grande presença da agricultura, que mantém bom desempenho na economia. Por outro lado, a redução do turismo e de gastos dos turistas no comércio local prejudica a principal atividade econômica exercida no litoral, região que teve retração de 12%, segundo a pesquisa. Já na Região Metropolitana de Curitiba, a queda seria fruto dos reflexos da crise sobre o setor automotivo.
O agronegócio também faz a diferença para o resultado obtido em Maringá, onde ainda há a presença de indústrias que não têm relação com o setor de automóveis. "Em Londrina, apesar do agronegócio estar forte, nós temos boa parte da economia calcada nos serviços. Mas, como as pessoas estão desempregadas e a renda caiu, isso reflete no varejo como um todo", diz o consultor econômico.
O mês de março também teve desempenho ruim quando comparado com o mesmo período de 2015. Ao comparar apenas esses dois períodos, as vendas no Paraná caem 9,04% em média. Londrina teve retração de 3,67% e Maringá, 0,31%. Nesta mesma comparação, apenas Ponta Grossa teve resultado positivo (2,35%) entre as sete regiões pesquisadas.

Imagem ilustrativa da imagem Varejo do PR cai 8,68% no primeiro trimestre
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