Varejo do Paraná tem pior mês desde 2003
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quarta-feira, 09 de março de 2016
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
As vendas no varejo do Paraná registraram queda de 16,27% em janeiro ante o mesmo mês do ano anterior, o pior resultado da série histórica iniciada em 2003 da Pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), divulgada ontem. A variação negativa do setor em Londrina foi ainda maior, ao fechar em 20,32% no mesmo comparativo. Desempenho que faz com que a entidade projete números ainda piores para 2016 do que no ano passado e que aponte para um primeiro semestre perdido.
A pesquisa é baseada na coleta de dados de faturamento de uma amostra de empresas de cada região. Somente a região Oeste registrou alta no levantamento, de 1,26%, motivada pela boa safra de grãos que aqueceu a economia local, conforme a Fecomércio-PR. Ainda registraram queda nas vendas Região Metropolitana de Curitiba (-20,23%), Litoral (-16,75%), Sudoeste (-10,48%), Maringá (-9,79%) e Ponta Grossa (-7,78%).
Por setor, os únicos com resultado positivo no faturamento foram vestuário e tecidos (3,24%) e materiais de construção (1,76%), no Estado. Os piores números foram para os varejistas de bens de consumo duráveis, que são mais caros, e ramos aos quais estão ligados. Móveis, decorações e utilidades domésticas tiveram baixa de 30,81% e concessionárias de veículos venderam 29,92% menos, seguidas por lojas de departamentos (-28,64%), autopeças (-26,98%) e combustíveis (-20,58%). Londrina fechou janeiro com números negativos em todos os comparativos, com destaque para automóveis (-51,00%), autopeças (-30,71%) e mobiliário (-29,33%).
Mudança de rumos
O diretor de Planejamento e Gestão da Fecomércio, Rodrigo Rosalem, afirma que a retração foi ainda maior do que a estimada pela entidade, de 10%, e que preocupa. Para ele, caso não se encerre o embate político e ocorra uma sinalização drástica de mudança de rumos na economia, o resultado do setor será desastroso em 2016 e ainda pior do que a queda de 8,80% do ano passado. "O agravamento da crise é visível e vai aumentar se nada mudar no governo, principalmente no federal, seja pela saída de quem está no comando ou pela tomada de medidas para fortalecer a economia", diz.
Mesmo assim, ele diz que o primeiro semestre está perdido e que somente medidas que visem a geração de empregos e renda podem dar resultados. "No cenário atual, acreditamos que o varejo possa terminar com queda maior do que 10% em 2016", cita Rosalem.
Conforme a Fecomércio-PR, a situação se reflete em piora também na indústria. A formação de estoques de lojistas caiu 30,46% no Estado. O número de funcionários do varejo recuou 6,75% e a folha de pagamento ficou 7,66%, sempre no comparativo de janeiro com o mesmo mês de 2015.
LONDRINA
O diretor da Fecomércio-PR considera que as regiões com piores resultados foram as de Curitiba e de Londrina porque são as cidades com maior número de indústrias ao redor. O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, afirma que a cidade tem sofrido bastante com a crise, principalmente no setor de autopeças. "Soma-se a isso o fato de as pesquisas sobre inadimplência, que mostram que as pessoas estão comprando menos para pagar as dívidas, pela perspectiva de piora na economia", conta.
Rambalducci sugere uma readequação no setor para produtos de menor valor, devido à mudança no perfil do consumidor para troca de produtos de marca para similares. "Temos a corrosão do salário pela inflação e o aumento do desemprego, o que impacta, ainda que menos, mesmo o consumo de primeira necessidade", diz. Ele cita o aumento do consumo de genéricos em farmácias, por exemplo.
Porém, o economista da Acil estima melhora nos números do varejo londrinense ao longo do ano, com queda de 3 pontos percentuais a mais do que o total da economia local. "O agronegócio é bastante significativo em Londrina porque, ainda que a produção seja na região, toda a comercialização é feita a partir da cidade, o que pode ajudar a segurar um pouco o resultado."



