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Varejo do Paraná perdeu 5 mil estabelecimentos em 2020

Ano atípico para o setor reverteu os saldos positivos de 2018 e 2019; CNC projeta três cenários associados ao nível de isolamento social e ao ritmo de avanço da imunização da população

Celso Felizardo, Lais Taine e Vítor Struck
Celso Felizardo, Lais Taine e Vítor Struck

A pandemia do novo coronavírus mergulhou o país na maior recessão de sua história recente. Os efeitos mais danosos foram sentidos principalmente pelos setores mais atingidos pelas medidas de restrição impostas para tentar frear o contágio da Covid-19. Um levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) aponta que o Brasil perdeu 75,2 mil estabelecimentos. No Paraná, a perda foi de 5,1 mil unidades, atrás apenas de São Paulo (São Paulo (- 20,3 mil), Minas Gerais (- 9,5 mil) e Rio de Janeiro (- 6 mil).


 

Varejo do Paraná perdeu 5 mil estabelecimentos em 2020
Roberto Gardinalli/Futura Press/Folhapress
 


O presidente da CNC, José Roberto Tadros, lembra que a queda das vendas no varejo, no ano passado (-1,5%), no entanto, foi menor do que a esperada para um momento tão crítico. “As perdas do setor varejista foram sentidas logo em março, mas, a partir de maio, foi possível começar a reverter a situação, graças à rápida reação do mercado. Contribuíram fatores como o fortalecimento do comércio eletrônico e o benefício do auxílio emergencial, permitindo que o brasileiro pudesse manter algum nível de consumo. O desafio será ver o comportamento deste ano, com o programa de imunização ainda em andamento”, avalia Tadros.


O nível de ocupação no setor também foi impactado pela crise: ao longo do último ano, 25,7 mil vagas formais foram perdidas. Trata-se da primeira queda anual desde 2016 (-176,1 mil). Embora negativo, o saldo de 2020 não reverteu completamente a quantidade de vagas geradas nos três anos anteriores.


SEGMENTOS

O ramo que mais perdeu unidades foi o de vestuário, calçados e acessórios (-22,29 mil unidades). Na sequência, aparecem hiper, super e minimercados (-14,38 mil) e lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (-13,31 mil).


Para Fabio Bentes, economista da CNC responsável pelo estudo, as pesquisas recentes têm mostrado que, mesmo com o avanço do e-commerce, ainda há uma grande dependência do consumo presencial no setor: “As incertezas em relação à retomada do ritmo econômico, sobretudo diante da necessidade de isolamento da população, vão influenciar fortemente as projeções para 2021”.


CENÁRIOS

O cenário incerto fez a CNC fazer três projeções distintas para o comércio neste ano, associando o nível de isolamento social da população à evolução das vendas no varejo ampliado e à recuperação do saldo de lojas.


No cenário básico, a Confederação prevê a redução de cinco pontos percentuais no índice de isolamento social da população até o fim de 2021, em relação a dezembro de 2019. Neste caso, as vendas avançariam 5,9%, em comparação com 2020, e o setor seria capaz de reabrir 16,7 mil novos pontos de venda este ano.


Em um cenário alternativo mais otimista, no qual o isolamento social retornaria aos níveis pré-pandemia (30% da população), o volume de vendas cresceria 8,7% e 29,8 mil estabelecimentos com vínculos empregatícios seriam abertos ao longo do ano.


Por fim, em quadro mais pessimista, no qual o confinamento da população se mantivesse ligeiramente abaixo (3 pontos percentuais) do patamar observado em dezembro do ano passado, o saldo entre abertura e fechamento de lojas fecharia o ano em +9,1 mil unidades.



Sincoval lamenta novo fechamento do comércio

O presidente do Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina), Ovhanes Gava, conta que o comércio varejista estava otimista com a retomada da economia esperada para 2021, mas o decreto com medidas restritivas do governo paranaense acabou impactando nas estimativas de recuperação das empresas. 


“Esse filme a gente já viu, a coisa está se repetindo. O diálogo com o poder público continua cessado, não tem como trabalhar uma saída em conjunto ou até entender o lado do poder público para que a gente possa transmitir ao comerciante”, critica. “A cada semana parados, nós precisamos de pelo menos mais três para recuperação. Isso é muito danoso para o comércio varejista, porque a gente trabalha com ticket baixo”, acrescenta. 


Gava afirma que havia expectativa boa para esse ano, com aposta forte ao Centro de Inovação ao Varejo, projeto que seria lançado em abril, mas que precisou ser adiado, com atraso de mais 30 dias. Para ele, o fechamento do comércio tem alto impacto para o desenvolvimento econômico da cidade. 


“Uma vez que nós fomos responsáveis por 67% do PIB estadual, o comércio varejista sendo o que mais emprega que todos os outros setores produtivos, nós somos o que mais temos comércios de pequeno porte, a gente fica chateado que só o comércio varejista foi penalizado pelo lockdown. Outros segmentos estão abertos e a falta de planejamento e diálogo com o governo nos entristece em um momento como esse”, argumenta.



Comerciantes protestam em frente à prefeitura

Um grupo formado por comerciantes e trabalhadores do comércio realizou uma manifestação no Centro Cívico na tarde desta terça-feira (2). O objetivo era pedir a suspensão dos efeitos do decreto estadual na cidade e retomar as atividades de forma presencial. Por enquanto, as medidas mais restritivas estão em vigor até o dia 8 de março. 


Daniela Aparecida da Silva Henrique, 39, tem duas lojas de roupas íntimas femininas em dois shoppings de Londrina e participou da manifestação. Ela contou que empregava sete funcionários, mas precisou demitir quatro desde o início da pandemia.  "O impacto é que nós ainda não recuperamos do primeiro (decreto). Começamos a nos reerguer agora e qual é o impacto? Desemprego. Tínhamos sete, hoje tenho três funcionários", lamentou. 


O ato foi realizado no dia da apresentação de um decreto legislativo que visa suspender o fechamento do comércio em Londrina. A medida foi apresentada pela vereadora Jessicão (PP). Ela defendeu que os comerciantes sejam ouvidos pelo prefeito Marcelo Belinati (PP) e que o município tenha mais flexibilidade na gestão da pandemia.


No dia anterior, os manifestantes se concentraram na avenida Souza Naves e seguiram até o Centro Cívico para tentar sensibilizar as autoridades sobre o drama enfrentado com o fechamento do comércio. Pelo decreto estadual, todas as atividades não essenciais só poderão retornar a funcionar a partir das 5h da próxima segunda-feira (8).


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