Varejo deve manter preços depois do IPI
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 2010
Gisele Mendonça<br>com agências 
O anúncio sobre o fim da redução do Imposto Sobre Produto Industrializado (IPI) para a linha branca pegou as empresas de eletrodomésticos de surpresa. A vigência do incentivo termina amanhã, segundo o governo federal. Algumas redes ouvidas pela FOLHA tentavam, ontem, comprar produtos a preços reduzidos, mas havia dificuldade para conseguir. Entre o setor, a informação é que a maior parte das redes vai manter os preços enquanto houver estoque.
''Estamos numa loucura hoje (ontem) para tentarmos faturar produtos antes da volta do IPI. Mas a indústria não está conseguindo atender. Há muita falta de produto'', disse Fernando Moraes, diretor da rede Móveis Brasília. ''Esperávamos que a redução do imposto fosse prorrogada''. Segundo ele, a empresa ainda tem estoque para manter os preços reduzidos ''talvez por uns 15 ou 20 dias''.
Desde abril do ano passado, quando passou a vigorar a redução do imposto, as vendas da linha branca na rede cresceram 35%, segundo Moraes. Ele acredita que a procura pelos produtos vai cair depois que os preços voltarem ao normal. No início da vigência do incentivo, Moraes lembra que as campeãs de vendas da linha branca foram as lavadoras de roupa, cujo IPI foi reduzido de 20% para 10% (no caso das automáticas) e de 10% para 0 (tanquinho).
No verão, a febre foi por geladeiras, que no geral tiveram redução de imposto de 15% para 5%. No caso dos fogões, segundo o diretor, a procura foi menor devido ao desconto também menor: de 4% para 2%. ''Agora, além das geladeiras, voltamos a vender bem lavadoras, por causa das chuvas'', disse Moraes.
Marcelino Ribeiro de Oliveira, gerente de uma das lojas do Ponto Frio em Londrina, afirma que a redução do IPI impulsionou as vendas em torno de 20%. ''Acreditamos que daqui para a frente a procura por esses produtos vai cair. O marketing (do IPI) é muito forte'', diz. Segundo o gerente, ontem ainda não havia nenhum posicionamento da rede sobre a estratégia para continuar aquecendo as vendas daqui para a frente.
Em nota enviada à imprensa, o Grupo Pão de Açúcar informou que garantiria a ''manutenção dos descontos em todos os produtos envolvidos (na redução do imposto) até o final dos estoques adquiridos no período de vigência da medida''. O Carrefour, também através de nota, afirmou que ''manterá os preços atuais até o final do seu estoque, previsto para 40 dias''. O aumento do consumo da linha branca na rede foi de 35% durante a vigência do incentivo. Ambas as redes, antes do anúncio do governo, acreditavam na possibilidade de a redução do IPI ser prorrogada.
Anúncio
O anúncio sobre o fim da redução do IPI foi feito em Zurique, na Suíça, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que está na Europa para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, no mesmo país. No caso do setor automotivo, ele informou que o fim dos prazo para os incentivos está previsto para 31 de março. Os estímulos foram prorrogados no final do ano.
Embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) faça previsões de crescimento econômico de 4,7% para o Brasil, o ministro é mais otimista e reafirmou que espera um índice entre 5% e 5,5% em 2010. Para ele, é justamente esse o motivo para o governo não prorrogar as desonerações concedidas a vários setores como o automotivo e o de eletrodomésticos. Essas medidas foram adotadas para ajudar o Brasil a enfrentar a crise econômica mundial, que teve maiores impactos no país no último trimestre de 2008 e se estendeu durante o ano passado.
Mantega lembrou que setor industrial sofreu com a crise, mas que as previsões para 2010 são de crescimento. Na quinta-feira a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou pesquisa com dados que mostram uma evolução no nível de emprego no setor industrial. A necessidade do fim dos incentivos fiscais para a linha branca e aos automóveis também é compartilhada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Ontem o ministro disse que não vê a necessidade na renovação dos incentivos fiscais para esses setores.


