O movimento de consumidores nos shoppings e lojas do centro de Londrina ontem foi considerado bom, mas menor do que o registrado na segunda e terça-feira. As lojas estiveram cheias pela manhã, mas o clima já era de feriado.
As entidades do comércio varejista ainda não tinham fechado os balanços de vendas, mas representantes do empresariado avaliam que o total do faturamento global deve ficar muito próximo do registrado no ano passado. Há pequenas controvérsias na comparação dos preços dos produtos e em relação ao volume de negócios realizados. Mas eles concordam que, mesmo não tendo se concretizado o crescimento previsto antes do pacote fiscal de novembro, também não aconteceu a catástrofe anunciada logo após o anúncio das medidas do governo.
‘‘O ano de 97 foi uma barra. O pacote foi como uma ducha de água fria jogada em cima do comércio exatamente às vésperas de nosso melhor período, que é o de Natal e fim de ano. Inibiu principalmente as vendas de bens duráveis, os mais caros e que necessitam de financiamento, de parcelamento. Por isto, se no geral empatarmos com o faturamento do ano passado e houver algum pequeno crescimento, já estará bom demais’’, comenta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Igarassu Louzada.
Segundo ele, antes do pacote fiscal as expectativas eram de que as vendas deste final de ano seriam até 30% superiores às do mesmo período de 96. ‘‘Mas há resultados diferentes, dependendo do setor do comércio. Os segmentos que vendem produtos mais caros - automóveis e eletrodomésticos, principalmente - tiveram queda mais significativa. Já no comércio de alimentos, as vendas cresceram além de 20%’’, avalia Louzada. ‘‘As lojas de produtos populares também registraram aumento no volume de vendas, mas talvez porque os preços tenham ficado menores. Por isso, no geral, o faturamento deve ficar empatado com 96’’, afirma.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Abílio Medeiros Júnior, concorda que ‘‘felizmente’’ as piores previsões - de queda de perto de 30% nas vendas - não se concretizaram. ‘‘O pacote atrapalhou, mas menos do que era previsto. Com as dificuldades impostas pelos altos juros ao crediário, as vendas à vista aumentaram. Isto é muito bom, e o volume negociado deve ficar um pouco acima do de 96’’, afirma.
A opinião de Semi El Kadri, proprietário de uma loja de roupas no Calçadão, não é a mesma. ‘‘As vendas reagiram em dezembro porque vínhamos capengando há meses. Mesmo assim, vamos fechar o ano com vendas bem menores do que as do ano passado. O faturamento deve ter caído cerca de 50% e, por isto, teremos que demitir funcionários em janeiro’’.
Kentaro Takahara, presidente da Associação dos Lojistas do Catuaí Shopping Center, avalia que o volume negociado neste dezembro será bastante parecido com o do ano anterior. ‘‘Superado o susto que o pacote fiscal deu nos comerciantes, a expectativa é de repetir 96. Alguns lojistas mais otimistas falam num crescimento de 10% a 15%, mas prefiro uma avaliação mais moderada. O volume das vendas pode ter aumentado, mas principalmente os de produtos mais baratos. No geral, o resultado dos negócios deve ser o mesmo do ano passado.’’, diz.
Medeiros diz que os números definitivos da Acil sobre as vendas de Natal em Londrina só estarão disponíveis na próxima semana. A partir de amanhã, o comércio do centro volta a funcionar em horário normal: das 8 às 18 horas de segunda a sexta-feira; e das 9 às 13 horas aos sábados (com exceção para as redes de departamentos, que fecham às 18 horas).

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