A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) prevê que 11% dos R$ 30 bilhões estimados em saques de trabalhadores do FTGS e do PIS/Pasep serão usados no varejo de vestuário, setor que será o mais beneficiado. Serão R$ 3,3 bilhões, segundo a entidade, que baseia a estimativa no resultado dos saques de contas inativas do fundo de garantia dos trabalhadores em 2017 e na tendência de direcionar os gastos justamente para a atividade mais afetada pela falta de dinheiro do consumidor.

Os recursos serão liberados aos poucos, entre setembro e dezembro deste ano. O economista Fabio Bentes, da CNC, afirma que em 2017, quando também houve uma liberação de saques do FGTS, o varejo ficou com R$ 12 bilhões dos R$ 44 bilhões injetados na economia. O segmento de vestuário foi o que mais se beneficiou, com 38% dessa parcela, o que equivale a R$ 4,1 bilhões. “Como o consumidor está menos endividado do que em 2017, é possível esperar um efeito até relativamente maior no varejo e no segmento de vestuário em 2019, apesar de o montante ser menor”, afirma Bentes, por meio de nota.

Outro ponto é que as vendas de roupas, calçados e acessórios são as mais estranguladas pelo consumidor neste ano. Segundo a PMC (Pesquisa Mensal de Comércio) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o resultado acumulado nesse ramo de janeiro a junho é 0,4% menor do que no mesmo período do ano passado, à frente somente de livrarias e papelarias (-27,0%) e de móveis e eletrodomésticos (-1,1%). Na média, os dez segmentos que integram o comércio varejista apresentaram variação de alta de 3,2% no mesmo comparativo.

Esse desempenho levou o varejo de vestuário a registrar a menor inflação em meses de julho nos últimos 20 anos, com alta de 0,46% em 2019, somente maior do que a queda de 1,87% em 1998. “A tendência para os próximos meses, no entanto, é que o setor apresente algum fôlego para os varejistas”, prevê Bentes.

Na avaliação dentro da CNC, embora não tenha efeito duradouro, esse aumento de vendas dará fôlego ao setor como um todo. “O volume de vendas no segmento de vestuário, calçados e acessórios seguiu na contramão do varejo no primeiro semestre de 2019”, avalia Bentes. “O crédito caro e a inércia no mercado de trabalho têm inibido o processo de recuperação das vendas”, completa.

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