As vendas do comércio varejista caíram 0,4% em abril sobre março, em um cenário de acomodação do setor diante do fim de incentivos ao consumo por parte do governo federal e de pressão da inflação. O resultado da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve a segunda variação negativa mensal, após a queda de 0,50% de março ante fevereiro.
No varejo ampliado, que inclui vendas de materiais de construção e veículos e peças, houve aumento de 0,60% em abril sobre março. No entanto, quando observada a comparação de abril de 2014 ante o mesmo mês do ano anterior, é o comércio varejista que fica com alta de 6,70% enquanto o ampliado fica estável.
No acumulado em 12 meses fechou em 4,90% para o varejista e em 2,50% no ampliado. O técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Nilo Lopes, afirma que uma das principais causas é que a política de crédito e a política de incentivo a alguns setores estão mais desfavoráveis neste ano, o que explica as quedas mensais. "O crédito está seguindo uma tendência bem menor que a do ano passado. Os incentivos que foram dados a veículos foram retirados, os que foram dados a outros setores diminuíram um pouco, as alíquotas que eram menores subiram um pouco."
Lopes completa que o comércio já teve crescimentos maiores anteriormente, mas que neste ano não deixou de crescer. "A indústria não ia tão bem, mas o comércio crescendo a 10% dava para compensar um pouco isso. Só que agora o comércio caiu, está com taxa de crescimento pela metade, e a indústria ainda não está com fôlego suficiente. Então estão dizendo que nem o comércio salva, mas na verdade o comércio não está tão ruim assim."
Para o professor de economia Adilson Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), há uma aquietação do setor neste ano. "Não é um esgotamento, mas a consolidação do consumo. Somos uma economia em que não se faz poupança e, quando as pessoas já têm muitos parcelamentos, há uma acomodação natural, mas que não chega a ser ruim."
Os financiamentos de longo prazo, principalmente em imóveis, veículos e eletroeletrônicos, deixaram o consumidor endividado, diz o professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Boa parte do crescimento do País no ano passado foi estimulado por incentivos do governo, o que não pode ser repetido neste ano. Acredito que o que vai crescer em 2014 é o setor de serviços, mas com recuo da indústria e o comércio sem alta significante."
A inflação também teve peso, segundo analistas. "As pessoas começaram a sentir os efeitos na capacidade de compra e mantêm apenas o consumo essencial", explica Volpi. "Teremos alguns segmentos de comércio com melhor desempenho, como as vendas de TVs, por causa da Copa do Mundo. Mas será um ano difícil, assim como 2015", completa Nascimento. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Varejo cai 0,4% em abril no País