Varejo: aproveitar o momento para crescer
A expectativa do comércio varejista para o próximo ano é de muito trabalho. Depois de um bom ano de vendas, o último quadrimestre foi tomado por uma série de notícias bombásticas sobre a crise financeira global. O lado positivo (da crise) é que o Brasil vive a economia real, de exportações de commodities, de mão-de-obra barata. Não temos especuladores e, por isso, estamos com a faca e o queijo na mão e este período pode ser uma oportunidade para o Brasil crescer, afirma Marcelo Cassa, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Ele ainda acrescenta que Londrina foi fundada em 1934, logo depois que a crise de 29 atingiu seu auge, em 33. Mesmo assim Londrina conseguiu crescer e se desenvolver. Acredito que temos que aproveitar a crise para criar mais, trabalhar mais e se unir mais. Por que não podemos crescer na crise?, diz Cassa. Segundo ele, os reflexos da crise começam a aparecer no comércio varejista somente a partir de novembro a partir das demissões de trabalhadores.
Tivemos um resultado pequeno em novembro e esperamos fechar um dezembro melhor. Por enquanto, apenas algumas empresas estão conseguindo um resultado 10% melhor mas, na média, há um empate técnico com dezembro do ano passado, observa o presidente da Acil. Segundo relatório da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio) a valorização do dólar frente ao real ocorrida a partir de setembro) pressionou alguns preços internos; provocou queda nas vendas de produtos de maior valor unitário e que dependem de financiamentos como veículos, imóveis e eletroeletrônicos; adiou investimentos; e levou empresas a adotar férias coletivas.
Um grande receio nesse momento é um possível aumento do desemprego, que possa afetar o consumo das famílias e reduzir a demanda agregada e as vendas do comércio, diz o relatório da Fecomércio. Tanto que as expectativas de movimentação neste último trimestre apontam para uma queda em relação à expectativa inicial. Apesar disso, as condições de crescimento permanecem, mas em escala abaixo do inicialmente previsto. Pesquisa feita pela Fecomércio indica que em praticamente todas as cidades-pólo do Estado as vendas caíram em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os segmentos mais afetados foram: concessionárias de veículos, autopeças e acessórios, móveis, decorações e utilidades domésticas e lojas de departamentos. (F.M.)





