Arquivo FolhaInadimplentesCampanhas que dão facilidades para o consumidor saldar contas atrasadas têm dado poucos resultados Com vendas baixas desde o lançamento do pacote econômico, os comerciantes apostam no pagamento do 13º salário como uma chance de reaquecer o mercado. As empresas começaram a pagar a primeira parcela na última quinta-feira, mas a maioria dos trabalhadores só deve receber na sexta-feira, último dia últil para o pagamento. Os lojistas estimulam os consumidores a usar o 13º para pagar as contas atrasadas, limpando o nome do cadastro dos devedores do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e se tornando novos consumidores em potencial.
A Associação Comercial do Paraná chegou até a lançar uma campanha na mídia que dá facilidades ao consumidor que queira saldar contas atrasadas. O devedor pode pagar as prestações devidas sem juros e com descontos especiais. Mas a campanha, que acaba no próximo domingo, não surtiu efeito até agora. Quase ninguém se dispôs a pagar o crediário.
‘‘Não apareceu viva alma para reabilitar o crédito. A vontade deles até que existe, mas não há dinheiro’’, reclamou o dono da loja de materiais de construção Avenida Sete, César Luiz Gonçalves. Ele garante que está com 1% do faturamento anual comprometido com dívidas dos consumidores, o que dá um total de R$ 196 mil. Gonçalves disse que mesmo com o fim da campanha, ele continuará dando vantagens a quem quiser pagar as contas do crediário.
O diretor do Shopping Novo Batel, Luis Celso Branco, acredita que o pacote econômico frustou a campanha de recuperação das dívidas. ‘‘Por causa do pacote não sentimos uma grande procura pela renegociação’’, afirmou Branco. Ele lembrou que a inadimplência atinge 35% da classe produtiva. Dos 70 lojistas do shopping, cerca de 20% aderiram à campanha, avalia o diretor.
O dono da loja de eletro-eletrônicos José Carlos Tristão também reclama da baixa procura pela recuperação do crédito. ‘‘Renegociamos com um ou dois clientes de um total de 450 devedores’’, calculou Tristão. Presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas, ele disse que tem ‘‘esperança no 13º’’. Já o comerciante César Luiz Gonçalves acha que o consumidor vai usar o salário extra para cobrir o ‘‘estouro’’ do cheque especial. Ele diz ainda que outros consumidores já retiraram quase todo o 13º em vales ao longo do ano.
O 13º salário representa uma injeção de R$ 14 bilhões na economia brasileira. Nos últimos anos, 30% do dinheiro recebido a mais acabava desaguando no comércio, nas compras de fim de ano. A previsão dos lojistas para este ano é que os números sejam mais modestos. As vendas devem ficar 10% abaixo do Natal de 1996.

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