Os suinocultores paranaenses foram surpreendidos com a antecipação das compras de carne suína pelos supermercados, o que provocou um aquecimento no mercado. Eles estavam esperando uma reação nas vendas de final de ano a partir da segunda semana de dezembro, mas os supermercados e comércio varejista anteciparam as compras para novembro. Em função disso, já não existe mais oferta de carne suína para vender às indústrias e às grandes redes varejistas, disse ontem o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, Romeu Carlos Doyer.
O abate inspecionado de suínos no Paraná está avaliado em 220 mil a 230 mil cabeças/mês. Com isso calcula-se que as vendas dos produtores neste final de ano tenham superado 500 mil cabeças. As vendas superaram o ano passado, quando foram vendidas em torno de 430 mil cabeças nos meses de novembro e dezembro.
Apesar da euforia nas vendas, o presidente da APS alertou os produtores a não ampliar seus alojamentos de imediato. Pelo contrário, recomendou que os produtores trabalhem com a produção ajustada à demanda, para evitar as ‘‘ derrocadas’’ de preços, explicou.
A surpresa nas vendas não ficou restrita ao Paraná, sendo que os estoques de carne suína dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul também ficaram zerados em consequência do aumento da procura por parte das indústrias e comércio dos estados de São Paulo e Minas Gerais, comentou Royer. Segundo o presidente da APS, não tem mais suíno pronto para o abate. ‘‘O que existe de disponibilidade de carne suína está em poder da indústria’’, afirmou.
Como reflexo desse aquecimento, o preço da carne de suíno evoluiu de R$ 0,80 o quilo para R$ 1,05 o quilo para o produtor independente. O sistema integrado pagou R$ 0,90 o quilo na semana passada, devendo aumentar o preço pago para R$ 0,98 o quilo nesta semana, informou o técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Guilherme Oscar Richter. Com o aumento da demanda neste final de ano, o peso de abate dos animais está sendo menor. A média de abate em torno de 105 quilos por animal até setembro, caiu para 94 quilos.
Propaganda Para estimular o consumo de carne de suína durante todo o ano, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos com suas filiadas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, lançam oficialmente amanhã, 10, uma campanha nacional dirigida aos consumidores. A campanha está sendo financiada pelos produtores que estão contribuindo com R$ 0,10 de cada suíno abatido.
Além de estimular o consumo interno, os suinocultores apostam no aumento das exportações para 1999. Este ano, exportaram 85 mil t de carne suína e para o ano que vem esperam vender em torno de 110 mil t.

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