O varejo vai resistir aos aumentos nos preços impostos pelas indústrias, mesmo com o risco da falta de alguns produtos nas prateleiras. As principais redes de eletroeletrônicos não estão aceitando pagar as novas tabelas das indústrias, com aumento de 30% em média na linha de imagem e som e de 15% para fogões e geladeiras. Entre os alimentos, os aumentos atingem principalmente derivados de soja, trigo, carnes e café, que são importados ou têm preços regulados pelo mercado internacional.
Nas Lojas Cem, já faltam alguns modelos de televisores, aparelhos de som e videocassetes. A empresa só fechou contratos com dois fornecedores, que concordaram em aumentar os preços em 10%. ‘‘Os outros queriam aumentar em média 30% e nós recusamos’’, diz o supervisor geral da rede, Valdemar Colleone. Ele diz que, para o consumidor, o aumento será de 8%, dividido em dois ou três meses. ‘‘O mercado já está difícil, não tem espaço para alta’’, diz.
O Grupo Pão de Açúcar, que vende eletroeletrônicos nas redes Eletro e Extra, também garante que vai resistir aos ‘‘aumentos abusivos’’, mas não informa que nível de reajuste está disposto a pagar. ‘‘Estamos pedindo para ver as planilhas de custo das indústrias para avaliar se realmente o aumento é justificado’’, diz o diretor comercial executivo do Grupo, Valdemar Machado.
O Carrefour publicou até anúncios em jornal e colocou cartazes nas lojas garantindo que não vai comprar de fornecedores que aumentaram os preços por causa da variação cambial. O Grupo Sendas também suspendou as compras dos importados por causa do aumento do dólar.

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