Pesquisa feita pela Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Paraná) em parceria com o Sebrae/PR indicou que mais de 68% dos paranaenses pretendem comprar presentes para o Dia das Mães neste ano, comemorado no próximo domingo. O estudo também calculou em R$ 162,48 o valor do tíquete médio, alta de 5,5% sobre a mesma data em 2025. Mas quando se olha para os dados regionalizados, o Norte do Estado e Londrina registraram o índice mais baixo de intenção de compras, com 63,80%, e tíquete médio semelhante à média estadual, de R$ 162,76.

No comércio de rua de Londrina, alguns lojistas confirmam o desempenho projetado pela pesquisa, mas há varejistas animados com a data e com a expectativa de até dobrarem as vendas realizadas no ano passado.

Entre os mais pessimistas, o aumento do endividamento, a demora da chegada do quinto dia útil em maio e fatores econômicos que teriam reduzido o poder de compra da população em geral são citados como justificativas para o movimento abaixo do esperado e as projeções falam em cerca de 5% de aumento sobre o ano passado.

Mas no grupo dos que apostam em crescimento nas vendas, apesar da conjuntura econômica, o movimento de clientes registrado desde o final da semana passada é visto como um sinal de que a segunda melhor data do comércio no ano está recuperando o fôlego depois de resultados fracos nos últimos anos.

Em uma das unidades da Mocassim Calçados, a gerente Caroliny Luiza Wenceslau está otimista e espera dobrar o movimento de clientes e também as vendas neste Dia das Mães. Na loja, desde a última quinta-feira (30) o número de consumidores em busca de presentes começou a crescer e deve se intensificar nos próximos dias.

“Os clientes têm procurado coisas mais básicas, itens mais casuais, para uso no dia a dia. Estamos com um estoque maior, marcas de maior conforto e a gente aumentou o cashback de 10% para até 15% nas vendas do Dia das Mães. Nossa expectativa é dobrar o movimento e as vendas neste ano para compensar o mês anterior, que foi mais fraco. Acredito que muita gente vai aproveitar o final de semana para fazer as compras”, comentou a gerente. Na loja, o ticket médio varia de R$ 250 a R$ 300.

Proprietária da floricultura Acácia Flor, Luciene Lombardi está entre os otimistas e projeta avanço de 10% sobre os resultados da mesma data no ano passado. Na loja, as vendas do Dia das Mães começam a crescer no meio da semana que antecede a data, mas neste ano, o movimento está maior desde a última segunda-feira (4). Os vasos plantados, com durabilidade maior, e as cestas de café da manhã estão no topo da lista de preferências dos clientes. Cada vaso custa entre R$ 70 e R$ 180 e as cestas matinais saem entre R$ 200 e R$ 300.

Mas para não deixar de atender a nenhum deles, a floricultura oferece opções para todos os bolsos, a partir de R$ 20. Segundo Lombardi, até esta quarta-feira (6), a média de gasto por cliente ficava entre R$ 120 e R$ 180. “A alta nas vendas neste ano é consequência dos posts patrocinados nas redes sociais”, avaliou a proprietária da floricultura.

Caixa da loja de confecções femininas Lu Nogueira, Giovanna Nogueira contou que a procura por presentes para o Dia das Mães cresceu a partir da última terça-feira (5). “A gente adesivou a vitrine, fez uma decoração diferente para a data e baixou os valores dos nossos produtos. Estamos trabalhando com peças mais em conta neste ano.”

O investimento em itens de menor valor, afirmou Nogueira, foi uma decisão baseada no comportamento dos consumidores, que têm demonstrado uma menor disposição para gastar. Ela acredita que a conduta mais cautelosa seja decorrente da queda do poder aquisitivo da população. “As pessoas estão com menos dinheiro. Do jeito que está, nossa expectativa é de crescimento de 5% nas vendas neste ano.”

Por enquanto, o que mais tem saído na loja são peças de meia estação e o preço médio dos presentes fica entre R$ 350 e R$ 400. Mas se a previsão do tempo se confirmar, a chegada da chuva acompanhada de queda nas temperaturas a partir desta sexta-feira (8) pode contribuir para elevar as vendas da coleção de inverno. “O frio sempre ajuda nas vendas”, disse Nogueira.

Entre os consumidores ouvidos pela Fecomércio PR, 37,1% afirmaram que presenteariam com roupas, bolsas e/ou calçados. Perfumes e cosméticos apareceram em segundo lugar, com 16,5%, e em terceiro, as flores, citadas por 10,3%.

Conforme o estudo, a intenção positiva de presentear é maior na Região Sul e Sudoeste, com 72,30%, seguida pelo Centro (71,70%), Curitiba (69,80%), Oeste (68,10%), Leste e Litoral (68%), Noroeste e Maringá (67,10%) e Norte e Londrina (63,80%).

O coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, Rodrigo Schmidt, avaliou que o desempenho da Região Norte observado no estudo é reflexo de um consumidor mais cuidadoso com o orçamento, ainda que a data mantenha a sua importância comercial. “A pesquisa revela que o Dia das Mães reforça sua relevância no varejo paranaense, com aumento da intenção de compra e do tíquete médio, mas a alta nas dificuldades financeiras entre os que não presentearão expõe a perda de poder de compra de parte da população.”

Presidente do Sincoval (Sindicato do Comércio Varejista de Londrina), Ovhanes Gava destacou o alto índice de endividamento da população nacional, com quase 83 milhões de inadimplentes, o que corresponde a mais da metade da população adulta do país, e um valor total devido que chega a R$ 557 bilhões. “Isso se reflete em Londrina também. Por isso, estou um pouco mais com o pé no chão. Em 2024, as vendas do Dia das Mães caíram quase 5%, no ano passado teve um ligeiro aumento de 1,5% e, para este ano, trabalhamos com a expectativa de alta de 1,5% com tíquete médio de R$ 150.”

“As pessoas estão procurando pagar a dívida agora que o governo lançou o Desenrola (programa de renegociação de dívidas) e deve faltar dinheiro para consumo no comércio. Quando os inadimplentes quitam suas dívidas, vai um tempo para contraírem novas dívidas”, analisou Gava. “Se o Desenrola tivesse saído em abril ou junho, o Dia das Mães poderia ser diferente, mas caiu bem em maio”, lamentou.

Schmidt ressaltou que o predomínio do pagamento dos presentes do Dia das Mães à vista, por Pix, meio de pagamento citado por 26,2% dos paranaenses, evidencia “uma estratégia clara dos paranaenses para conter o endividamento”.

Para atender com mais comodidade quem preferiu deixar as compras para os dois últimos dias, nesta sexta-feira e sábado o comércio de rua irá ampliar o expediente em uma hora na sexta, com o funcionamento das 8h40 às 21 horas, e no sábado, as lojas fecham às 18 horas.

Pesquisa encomendada pela Acil aponta para cenário mais otimista

Uma pesquisa da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), por intermédio da Litz Estratégia e Marketing, com gestores de diferentes segmentos, aponta cenário mais otimista. De acordo com o levantamento publicado nesta quarta-feira (6), 74,3% estão otimistas ou muito otimistas com a movimentação de uma das datas mais importantes do varejo brasileiro.

Realizado com lojistas, o estudo abrange segmentos como vestuário, calçados, óticas, joalherias, cosméticos e perfumarias, entre outros, tendo 45,7% dos entrevistados com empresas no centro da cidade, e 54,3% em outras regiões.

No total, 30,5% consideram-se muito otimistas, enquanto 43,8% estão otimistas. Os neutros compõem 21% do levantamento, seguidos pelos pessimistas (3,8%) e muito pessimistas (1%). Em relação às vendas, 60% consideram que serão maiores do que 2025; 24,8% acreditam que serão iguais e 15,2% acham que as vendas serão menores do que no ano passado.

Transparência

“A Acil está investindo em pesquisas porque precisamos de dados para entender as movimentações do mercado, aumentando as ferramentas para o desenvolvimento da economia e, também, ampliando a transparência, favorecendo os lojistas e os consumidores. As informações apuradas com seriedade ajudam a planejar estratégias de vendas e de divulgação, facilitando a interação entre a loja e o cliente”, comenta Vera Antunes, presidente da ACIL. “Vemos que há um empenho do empresário para atrair o público e esperamos que ele se confirme em resultados concretos nas vendas”, acrescenta.

Crescimento

A expectativa é de um crescimento de 6,9% na comparação com 2025. O ticket médio estimado pelos lojistas é de R$ 190,09. Já os canais citados como os mais importantes para as vendas são a loja física (99%), WhatsApp (81%), redes sociais (79%), site próprio (36,2%), marketplace (17,1%), plataformas de delivery (7,6%), call center e venda telefônica ativa (7,6%) e representantes ou vendedores externos (5,7%).

Divulgação

Para atrair clientes, 69,5% dos entrevistados planejam investir em divulgação, e, entre eles, 95,9% pretendem manter ou ampliar os investimentos em relação ao ano passado. A divulgação ocorre de forma majoritária no Instagram (97,3% dos que pretendem investir em marketing vão anunciar na rede), WhatsApp (74%), Facebook (61,6%), TikTok (37%), anúncios em sites (26%), televisão (26%), aplicativos (23,3%), SMS (15,1%), rádio (15,1%), e-mail marketing (13,7%), YouTube (12,3%), outdoors ou painéis digitais (11%) e outros (45,2%).

Temporários

O trabalho temporário também foi levantado, com 24,8% dos entrevistados optando pela contratação de colaboradores extras para o período, enquanto 75,2% não devem fazer contratações adicionais.

Quadrimestre

Levando-se em conta os primeiros quatro meses de 2026, os comerciantes entrevistados afirmam que as vendas foram menores (40%), iguais (33,3%) ou maiores (26,7%) na comparação com o mesmo período de 2025. (Com informações da Acil)

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