Varejistas criticam pedido de salvaguardas para confecções
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
O pedido da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) para que o governo federal adote salvaguardas para o setor, enquanto não consegue reduzir a tributação sobre os produtos nacionais, causa descontentamento em entidades varejistas e não agrada totalmente nem mesmo os fabricantes paranaenses. Visto como uma forma de fazer com que os governantes entendam como o segmento tem sofrido com a falta de competitividade devido aos altos impostos, a medida serviria para dificultar a entrada de roupas importadas.
Conforme a Abit, são 60 itens incluídos na requisição de investigação para salvaguardas, como camisas, vestidos, saias, moda infantil, íntima e de praia, entre outros. O governo pediu uma atualização do estudo, que trata de 82% das importações vindas da China e que mostra como o aumento nas importações no setor para o Brasil prejudica a indústria nacional.
Segundo nota da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), o pedido é injustificado. Para a entidade, a adoção de medidas terá reflexos negativos, pelas "dificuldades da indústria brasileira em atender integralmente o aumento de consumo e as necessidades do varejo, que busca satisfazer um consumidor cada vez mais exigente quanto à qualidade, ao preço e ao mesmo tempo em sintonia com as grandes tendências internacionais de moda".
O economista da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Renato Pianowski, afirma que qualquer salvaguarda é "burra". "É uma via de duas mãos. O outro país vai fazer alguma retaliação", diz. Para ele, é necessário reduzir os impostos sobre a produção para evitar a inundação de importados. "Já se chegou à redução das tarifas interestaduais e está na hora de falar em cortar as tarifas estaduais."
Presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Curitiba (Sindivest), Luciana Bechara também concorda que a salvaguarda não é a melhor das soluções. Ela diz que o lojista quer maior variedade e concorrência de preços, o que é útil para vender mais. Porém, a empresária lembra que o governo cobra 20% de imposto sobre o preço da peça de vestuário que entra no País e recolhe uma média de 40% no que é fabricado localmente. "Isso sem contar a mão de obra, porque a nossa é no mínimo três vezes mais cara do que a chinesa."
Luciana acredita que a salvaguarda aumentaria o custo para o consumidor, ainda que pouco. Diz também que há algumas matérias-primas que precisam ser importadas, o que pode encarecer produtos feitos no País. "Mas nossa primeira briga é para exportar e, para isso, precisamos de carga tributária e custos de mão de obra menores", diz.
A presidente do Sindivest considera que falta apoio político para ocorrer uma desoneração do setor. Para o economista da Acil, no entanto, isso não deveria ser o bastante para impedir uma reforma tributária. "Vai ocorrer pressão política, mas tem de passar por esse processo se o País não quiser quebrar", diz Pianowski.
Em acordo
Apesar da nota de repúdio ao pedido de salvaguarda, a Abvtex concorda com a necessidade de desoneração da indústria têxtil e de confecções. Segundo a Abit, a carga tributária média apenas em impostos federais é de 18%, mas, se ficasse entre 5% e 10%, o setor cresceria 69% no País até 2025. Isso resultaria em 33% mais postos de trabalho, ou 300 mil empregos. Para a entidade varejista, isso refletiria em crescimento produtivo, modernização e maior qualidade dos produtos. (Com Agência Estado)


