Vantagens dos transgênicos são o 'conforto' do produtor
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terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Vânia Casado - De Curitiba<br>Ana Paula Nascimento - De Londrina 
A diferença de custo de produção entre soja transgênica e convencional não chega a 40% como disse o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, no último sábado. Estudos feitos pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) indicam que, se pudesse optar pela soja transgênica, o produtor teria uma economia de custos diretos de apenas 2,07%, computando o pagamento de royalties para a empresa detentora da tecnologia. O plantio está proibido em todo o País.
A Ocepar salienta, no entanto, que o agricultor teria vantagens comparativas em plantar a soja transgênica, entre elas o conforto em fazer apenas uma aplicação de herbicida. Em períodos chuvosos, o agricultor deixa de aplicar o herbicida e depois não consegue controlar a infestação de pragas, disse o assessor econômico da Ocepar, Nelson Costa.
Segundo Costa, no plantio tradicional o agricultor faz entre duas a três aplicações de herbicida, enquanto no plantio transgênico, só faz uma. Além da comodidade, o produtor fica mais tranquilo e liberado para outras operações na propriedade.
A diferença de custo no plantio das sojas transgênica e tradicional aumenta, na medida que o agricultor não paga os royalties para a empresa que detém a tecnologia. Segundo Costa, nos Estados Unidos onde os agricultores pagam os royalties, o preço da semente transgênica custa cerca de 30% a mais em relação às sementes da soja convencional.
Já na Argentina, onde o plantio de soja transgênica se disseminou em 90% da área ocupada, não há controle de origem das sementes e por isso não há cobrança dos royalties. Por isso, a diferença entre o preço das sementes é mínima.
O mesmo sistema foi disseminado no Rio Grande do Sul, onde apesar da proibição, há plantios clandestinos mas não existe controle sobre a procedência das sementes. Nesse caso, a diferença a favor do produtor que planta a semente transgênica é de 6,7% em relação ao plantio da soja tradicional.
Segundo o economista da Embrapa Soja, Heveraldo Camargo Mello, não existe até o momento um levantamento oficial sobre a redução do custo de produção com a utilização de soja transgênica, principalmente devido ao fato de o seu plantio comercial não estar liberado. ''No âmbito da pesquisa ainda não temos um estudo que comprove o menor custo de produção com a soja transgênica. Para isso, seria necessário avaliar o processamento de sementes, o uso de herbicidas convencionais e genéricos, e até do comportamento do produtor, o que agora seria muito empírico, já que a soja transgênica não está presente comercialmente no mercado'', avaliou Mello.
Já o presidente da Associação Paranaense de Produtores de Sementes e Mudas (Aprasem), Iwao Miyamoto, também presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja), acredita que a redução do custo de produção da soja - com o advento da soja transgênica - pode ultrapassar os 40% (no item custo indireto), considerando muitas variáveis, incluindo aí a menor utilização de maquinários que provoca a compactação do solo. ''Com a soja convencional, gasta-se mais com maquinários para fazer a descompactação, normalmente a cada três anos. Com a soja transgênica, esse trabalho pode ser feito a cada seis anos, e talvez ele nem seja necessário e a própria natureza se equilibre'', afirmou. Com um custo de produção menor, Miyamoto ressalta que a soja brasileira teria mais competitividade no exterior.


