Vantagens dadas à Chrysler pela instalação no PR seriam exageradas Legenda da foto FE1A5
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terça-feira, 05 de novembro de 1996
Maria Teresa Martins 
As revelações de um documento em inglês da Chrysler, que circularam ontem na Assembléia Legislativa do Paraná, causaram polêmica e irritação entre os deputados. O documento, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo, mostrou quais seriam as vantagens que o governo do Paraná teria oferecido à montadora norte-americana Chrysler para ela se instalar no Estado.
Essa revelação preocupa. Se oferecessem tudo isso às Duchas Corona, a empresa teria se instalado em Londrina, disse ontem o deputado da bancada governista Luiz Carlos Alborghetti (PTB), ao analisar os motivos pelos quais as montadoras estão optando pelo Estado.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury, diante da reação dos deputados, informou que deve nomear hoje uma comissão de sete parlamentares para fiscalizar o acordo realizado entre governo e a montadora francesa Renault. Segundo ele, os trabalhos da comissão podem ser estendidos para verificar também o caso Chrysler. O acordo com a Renault também é motivo de polêmica na Assembléia Legislativa.
O documento faz comparações entre as vantagens oferecidas pelos governos do Paraná e Rio Grande do Sul. O secretário Miguel Salomão considerou que o documento pode ser falso, já que a disputa da Chrysler estava entre o Paraná e São Paulo.
Salomão não negou nem confirmou as informações do documento, que além de sua versão original em inglês circulou também em português. Ele fez questão de frisar, entretando, que o protocolo entre governo e a Chrysler não foi detalhado entre as duas partes e que o mesmo está em fase de negociações. Acrescentou que não há prazo firmado para fechar o acordo, lembrando também que a montadora resolveu vir para o Paraná antes de que qualquer compromisso financeiro tivesse sido fechado entre governo e Chrysler.
As informações que o secretário forneceu ontem à Folha não são as mesmas das dadas por Salomão no dia seguinte ao anúncio da Chrysler. No dia da entrevista, 24 de outubro, o secretário afirmou à Folha que o Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) só participaria do acordo para financiar o treinamento da mão-de-obra.
Ontem, Salomão disse que nada impede que o FDE seja utilizado no financiamento da instalação da montadora. Segundo ele, este é um instrumento antigo da política industrial do Paraná, aprovado há mais de 34 anos pela Assembléia Legislativa.
Salomão admitiu que o FDE poderá ser utilizado no acordo com a Chrysler como instrumento que pode garantir o empréstimo para cobrir o custo equivalente a 75% do ICMS, já que o mesmo não seria pago pelos próximos dez anos. O prazo de dez anos de isenção do ICMS, que seriam pagos em outros 10 anos, também tinha sido negado pelo secretário na entrevista do último dia 24.
Naquele momento, em entrevista no aeroporto, o secretário informou que o prazo de dilação do ICMS seria de 48 meses, ou quatro anos, e mais 48 meses para pagamento, com juros e correção monetária. Na ocasião, o secretário negou que o prazo de dilação seria de oito anos (96 meses).


