A flexibilização do câmbio deverá tornar mais competitivas as exportações brasileiras de produtos agrícolas, mas a vantagem será reduzida pelo aumento de custos com a importação de insumos e bens de capitais. A avaliação é de técnicos do Ministério da Agricultura, que apesar de considerarem positivo o alargamento da banda cambial divulgado ontem, acreditam que não se deve ter uma expectativa muito otimista em relação às exportações das principais commoditites por causa das grandes barreiras que os produtos agrícolas enfrentam nos Estados Unidos e na Europa.
‘‘A entrada de produtos sensíveis é taxada em cerca de 200% o que neutraliza qualquer ganho cambial’’, avaliou um dos técnicos. O aumento da competitividade se dará em relação aos concorrentes que também vendem para estes mercados, explicou. Para os especialistas do ministério a medida divulgada ontem é positiva na medida em que encarece as importações de produtos que sofrem concorrência predatória como o algodão e os lácteos.
O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Dejandir Dalpasquale, considera o momento preocupante, pois o País já exportou os principais produtos agrícolas da safra e neste momento está importando mais, devendo pagar mais caro por isso. ‘‘O pior é que a Conab está com os estoques de grãos praticamente zerados’’, disse.
Dalpasquale lembrou que em 1998 o Brasil importou cerca de 10 milhões de toneladas de grãos e acredita que é preciso ter ‘‘muita cautela’’ para manter o País no rumo certo. ‘‘É inexplicável que um País com tanto potencial esteja importando produtos agrícolas’’, avaliou.
O ex-presidente da comissão de agricultura da Câmara, deputado Hugo Biehl (PPB-SP), considera a flexibilização do câmbio uma medida ‘‘saudável’’ para a agricultura e diz que a torcida é para que ela não reflita no suporte do Plano Real para o controle dos preços internos. ‘‘Tudo o que for feito para a recuperação da competitividade do setor produtivo é bem-vindo’’, afirmou.
Hugo Biehl avalia que ao favorecer as exportações e encarecer as importações, a medida poderá ajudar o setor produtivo a continuar de pé, com a geração de emprego e renda. Ele acredita que as importações ficarão mais próximas da realidade, favorecendo setores que sofrem concorrência predatória como o algodão e os produtos lácteos, entre outros. ‘‘O mais importante é a forma como a flexibilização do câmbio será feita, pois é preciso ser gradativa para dar chances à produção interna’’.

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