Vantagem está no hedge, diz operador de cooperativa
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de dezembro de 1996
Paulo Pegoraro<br>Sucursal de Cascavel 
A maior parte das cooperativas agropecuárias do Oeste do Paraná opera unidades industriais, que absorvem volumes significativos da matéria-prima que recebem, por isso dispõem de poucos produtos para negociar através de bolsas de mercadorias. Mas não dispensam as bolsas para comercializar suas matérias-primas.
Um exemplo é a Coopavel, de Cascavel, que destinou para a produção de ração e farelo mais de 60% dos 1,5 milhão de sacas de milho e 40% dos 2,5 milhões de sacas de soja que recebeu na última safra.
A cooperativa opera um frigorífico de frangos, e em breve terá outros de bovinos e de suínos. A ração alimenta a produção de 120 mil cabeças de frango que estão sendo abatidas diariamente - no próximo ano, devem ser 144 mil cabeças, capacidade final do frigorífico.
O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, relata que a estimativa é de que já no próximo ano 80% do milho e pelo menos a metade da soja recebida seja processado.
Outra parte é destinada às exportações, e no mercado interno temos compradores já bem definidos, e assim sobra muito pouco para comercialização em bolsa, observa Dilvo Grolli.
Para Fernando Muraro, analista de Mercado da central de cooperativas Cotriguaçu, de Cascavel, as organizações de produtores do Oeste do Paraná certamente terão interesse em operar com as bolsas, na medida em que ela se consolide, o que é paulatino. A própria Cotriguaçu só opera na Bolsa de Chicago.
Fernando Muraro observa que o mercado futuro é extremamente benéfico, porque com ele há o seguro de preços - hedge. O analista relata que em setembro/outubro havia a possibilidade de fechar venda de soja a US$ 15 para entrega em março/abril de 97. Quem não fez, perdeu, completa, explicando que, hoje, a cotação caiu para US$ 13,5.


