Nas últimas três semanas, a margem de vantagem do açúcar em relação ao etanol diminuiu. O fato é consequência da queda contínua no preço do açúcar no mercado internacional. Na semana passada, o açúcar era 34% mais vantajoso do que o etanol anidro, mas a vantagem já foi de 40%. Em relação ao etanol hidratado, a vantagem que era de 60% passou para 50% segundo o último levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).
''A margem tende a reduzir porque a demanda por etanol no Brasil evolui rapidamente e não há motivo de queda na procura por parte do mercado consumidor. É possível que a margem se estreite'', comenta a pesquisadora do Cepea, Heloisa Lee Burnquist. Segundo ela, essa condição mostra a importância para o setor em investir para que as usinas mantenham as duas opções de produção.
Nos últimos anos, a cotação do açúcar se manteve em patamares elevados. Enquanto na última quinta-feira a saca de 50 kg de açúcar cristal foi vendida a R$ 53,05 no mercado paulista, no mesmo período do ano passado o produto era comercializado a R$ 73, uma variação de 27%. ''Mesmo com preços abaixo da média dos dois últimos anos, o valor do açúcar ainda cobre o custo de produção'', afirma Heloisa. No acumulado do mês, a baixa é de 10,38%.
O preço do açúcar brasileiro possui estreita relação com o mercado internacional. Como maior produtor e exportador de açúcar do mundo, o Brasil exporta 66,66% da produção. A pesquisadora lembra que em 2008 e 2009 os estoques internacionais estavam negativos e exerceram forte pressão sobre os preços. Na época, o mercado esperava uma recuperação da produção mundial de cana-de-açúcar, o que não ocorreu nas últimas safras graças aos problemas climáticos enfrentados pelas regiões produtoras. Este ano, apesar do atraso, a produção se recuperou e a colheita está em ritmo acelerado.
A queda que vem sendo registrada nas cotações é reflexo da oferta mais abundante no período de safra. Segundo Heloisa, esse é o comportamento normal do mercado, que não ocorreu nos últimos anos devido aos estoques baixos do produto no mercado. ''A tendência é de que os preços continuem caindo até outubro ou novembro. Depois, pode haver uma recuperação das cotações se a colheita internacional não resultar em muita oferta no mercado internacional'', afirma.
Safra
De acordo com o último levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o volume processado pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil atingiu 44,25 milhões de toneladas na primeira metade de agosto, alta de 14,20% em relação à mesma quinzena no ano anterior. A quantidade moída somou 261,10 milhões de toneladas desde o início da safra 2012/2013, volume 37,69 milhões de toneladas menor do que o acumulado no mesmo período de 2011.
Do volume total de cana-de-açúcar processado até 15 de agosto, 48,66% destinou-se à produção de açúcar, contra 47,13% observados no mesmo período de 2011. No acumulado da safra 2012/2013, a quantidade fabricada de açúcar somou 15,32 milhões de toneladas. Já o volume produzido de etanol atingiu 9,96 bilhões de litros, dos quais 6,27 bilhões de litros de etanol hidratado e 3,69 bilhões de litros de etanol anidro.

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