São Paulo - Carros produzidos no Brasil perderam espaço em quase todos os mercados internacionais, antes importantes clientes. Até os países do Mercosul trocaram parte do produto brasileiro por veículos de outras regiões, especialmente da Ásia. Com preços mais caros por causa do dólar barato, o carro nacional perde competitividade.
Para estancar a queda nas exportações, as montadoras contam com o pacote que o governo deve anunciar este mês com medidas como crédito especial para operações externas e linhas de financiamento para novos projetos. Hoje, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financia 60% das exportações, porcentual que deve crescer.
O banco também abrirá uma linha com juros abaixo dos atuais e prazos mais longos para financiar o aumento da capacidade produtiva das montadoras e fabricantes de autopeças. Com as vendas internas batendo recordes, muitas empresas operam no limite da capacidade. Apesar disso, é unânime no setor a necessidade de se manter no mínimo 20% da produção voltada às exportações.
Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, um setor que exporta tem obrigação de manter-se atualizado, precisa ter engenharia forte para adaptar produtos aos mercados mundiais e tem maior facilidade de validar investimentos junto às matrizes. ''A conquista de mercado é trabalhosa. Além disso, implica estar presente no país com rede de distribuição e peças de reposição'', afirma Schneider. Por isso, a preocupação da indústria em relação à atual perda de contratos, num momento em que os mercados internacionais de veículos estão em alta.
Em 2006, os países do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai) venderam internamente 356,7 mil veículos, dos quais 59,8% eram brasileiros. Este ano, até setembro foram vendidas 438 mil unidades, sendo 55% brasileiras.
Além do reforço nas linhas de financiamento, as montadoras esperam uma solução para a devolução do crédito de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) retido pelos governos federal e estaduais e maior empenho do governo na realização de acordos bilaterais com países andinos, africanos e da região do Golfo.

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