Para decepção de muita gente, a queda gradativa no câmbio do dólar alterou pouco a vida do consumidor. Com exceção do combustível, que obrigatoriamente teve seu preço reduzido, os demais produtos influenciados pela moeda norte-americana continuam, praticamente, no mesmo valor de 30 dias atrás. Pelo menos é o que dizem os camelôs de Londrina.
Segundo Ulisses Sabino Nogueira, presidente da ONG Canaã (entidade que representa a categoria), os sacoleiros que vão a Ciudad del Este (Paraguai) estão gastando a mesma quantidade em reais necessária para comprar os mesmos produtos há dois meses: ''Alguns comerciantes paraguaios subiram o valor da mercadoria em dólar e aumentaram sua margem de lucro. Outros, reduziram um pouco sua tabela, mas sem prejuízo''. Essa explicação é repetida pelos donos dos boxes no Shopping Popular, que também continuam pagando o mesmo valor na passagem de ônibus até o Paraguai.
Para Clemari Santos de Oliveira, a resposta para essa diferença é a lei da compensação. De acordo com ela, quando o litro do combustível era mais caro a passagem também não subiu. Da mesma forma, na época em que o dólar está nas alturas o comerciante paraguaio tenta segurar os preços para não afugentar os clientes. ''Lá, você nunca vai encontrar um dólar custando menos que no Brasil. Sempre é um pouquinho a mais'', afirmou a camelô que vende relógios e perfumes. Fátima Santana diz que tem encontrado mercadorias 5% mais baratas e repassa integralmente ao consumidor em Londrina. Mas, nem por isso, ela e os clientes têm comprado mais. Na opinião de Fátima, o movimento está fraco desde abril e talvez melhore com a proximidade do Dia das Mães.
Walfride de Paula, que comercializa equipamentos periféricos de informática e CDs de jogos, diz que a queda no valor do dólar é bem-vinda porque, no seu caso, tem aumentado o volume de vendas. Ele estima que suas mercadorias tenham caído de 10% a 12% nas últimas semanas. ''Com isso, um cliente que aparece para comprar um produto de informática acaba levando também um brinquedo para o filho. Hoje em dia, compensa mais você agradar alguém com um presente do que guardar o dinheiro na caderneta de poupança'', comentou.
Apesar da economia que faz cada vez que vai ao Shopping Popular, o professor de dança David Junior Ferreira ainda espera um desconto maior. Segundo ele, a redução nos preços foi mínima depois que começou a desvalorização do dólar.

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