Valorização do imóvel pode atrapalhar ingresso no programa
O professor José Carlos Barczysczyn comprou um apartamento avaliado em R$ 85 mil em 2009 pelo Minha Casa Minha Vida (MCMV). Ele parcelou a entrada com a construtura em 25 vezes e deixou um saldo de cerca de R$ 77 mil para o financiamento. Entretanto, na hora de financiar com o banco, dois anos depois, o imóvel havia valorizado e ele não se enquadrava mais no programa. ''Foi passado um valor de financiamento para a gente de R$ 120 mil, o que na época ultrapassava os limites estabelecidos pelo governo. Acabei desistindo da compra por outros problemas com a construtora e acionei a justiça para rescindir o contrato'', relembra Barczysczyn.
Ubiraci Rodrigues, gerente regional da área de construção civil da Caixa, comenta que tal problema é possível de acontecer. Entretanto, completa, é um caso raro. ''A pessoa compra na construtora e por algum motivo este imóvel demora a ser contratado e acaba valorizando''.
Rodrigues comenta que uma alternativa para evitar esta situação é pedir à construtora para financiar o imóvel durante a fase de obra. ''A partir do momento que eu financio este bem, eu estaciono o valor dele para a construtora e as correções param de acontecer''. O gerente explica que muitas empresas fazem a chamada carteira de autofinanciamento, apresentando o cliente ao banco apenas no término da obra, que dura geralmente entre 24 e 36 meses. O objetivo das construtoras é não perder as correções do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que são repassadas mensalmente aos consumidores.
Para dar uma base do peso do INCC, Rodrigues relembra que a mão de obra da construção civil subiu mais de 20% em dois anos, com o índice variando entre 10% e 11% ao ano. ''As construtoras têm receio de não conseguir suprir estes custos, por isso é interessante para elas entrarem com o financiamento apenas no término da obra. Mas também existem vantagens para elas financiarem durante a construção, já que receberão o valor integral do empreendimento e assim, conseguem arcar com diversos custos da obra''.
De acordo com Gerson Guariente, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), a maior parte das empresas faz um cadastro preliminar angariando diversas informações sobre a vida financeira do cliente para que a venda seja completa e bem executada até a entrega das chaves. ''No caso do MCMV, o Governo está sendo bem rigoroso na concessão de crédito. A Caixa investiga tudo, cruza diversas informações antes de liberar o crédito''. (V.L)





