Valorização do dólar faz dívida aumentar R$ 20 bi
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de junho de 2004
Isabel Sobral<br> Agência Estado 
Brasília - As turbulências do mercado financeiro em maio, que levaram à alta do dólar frente ao real, fizeram a dívida líquida do setor público aumentar em R$ 20,271 bilhões, passando de R$ 926,398 bilhões para R$ 946,669 bilhões. Com isso o endividamento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) elevou-se de 56,5% para 56,8%, o que interrompeu uma queda que ocorria desde dezembro.
Para junho, no entanto, a expectativa do chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, é de que haja uma leve queda nesse indicador, com a dívida voltando aos níveis de 56,6% do PIB. ''Essa projeção é feita com o dólar de mercado do momento que está em R$ 3,10'', informou.
Cerca de 70% desse crescimento foi provocado pela valorização de 6,26% do dólar no mês passado, cuja cotação de R$ 3,12 do último dia útil de maio foi usada para corrigir os títulos públicos indexados à moeda americana e a dívida externa do País. Os 30% restante da elevação do endividamento deve-se ao fato de a economia de R$ 5,839 bilhões da União, Estados, municípios e estatais ter sido insuficiente para cobrir toda a conta de juros do mês (R$ 10,682 bilhões).
Como existe uma parcela importante da dívida pública atrelada à variação cambial, flutuações fortes das cotações do dólar ao fim de cada mês afetam o volume da dívida. A relação do endividamento com o PIB é um indicador importante nas análises de economistas e investidores nacionais e estrangeiros na hora de avaliar o desempenho da economia. Além disso, no caso do Brasil, apesar de não ser uma meta que prejudique a liberação de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI), essa relação é avaliada periodicamente pelo organismo. Para junho, a meta indicativa do FMI para a dívida líquida é de R$ 1,017 trilhão. O volume em maio estava cerca de R$ 68 bilhões abaixo desse nível.
Lopes destacou que, se considerado o nível de dezembro, houve uma queda 1,9 ponto porcentual no endividamento - na época, a dívida representava 58,7% do PIB. Ele afirmou ainda que a ''sensibilidade'' da dívida pública à variação cambial continua diminuindo por causa da estratégia da equipe econômica de retirar do mercado os títulos públicos vinculados ao câmbio.
Segundo Lopes, em maio do ano passado, para cada 1% de elevação do dólar frente ao real, o estoque da dívida aumentava em 0,25 ponto porcentual em relação ao PIB. Já em maio, para a mesma variação do dólar, o aumento na dívida foi de 0,19 ponto porcentual.


