Valorização do dólar afeta balança comercial argentina
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - A valorização do dólar em relação ao iene e a algumas moedas européias está apreciando também o peso argentino, devido à paridade de 1 por 1. Apenas neste ano, a moeda americana valorizou cerca de 10% sobre o iene, 5,85% sobre o marco alemão e 5,97% sobre o franco suíço. Em decorrência da taxa fixa do câmbio, definida pelo Plano Cavallo, a balança comercial do país começa a sofrer impacto negativo.
Até novembro do ano passado, o superávit argentino teve variação considerável, passando de US$ 769 milhões em 1995 para apenas US$ 100 milhões. A partir de 94, quando a Argentina havia amargado um déficit comercial de US$ 4,5 bilhões, o quadro negativo chegou a ser revertido graças ao efeito sorte.
De acordo com o economista argentino Carlos Winograd, professor da Universidade de Evry e membro do Centro de Investigações Delta e da Escola Nacional de Estatística de Paris, o efeito sorte que ajudou a Argentina a escapar de uma desvalorização do peso e de uma explosão da inflação pode estar acabando.
Entre 95 e começo de 96, segundo Winograd, o país foi favorecido por três fenômenos que jogaram a favor da desvalorização do peso, aumentando a competitividade dos produtos argentinos e, consequentemente, fazendo disparar as exportações do país. De janeiro a novembro do ano passado, por exemplo, as vendas externas da Argentina somaram US$ 21,686 bilhões, 13% a mais em relação a 95.


