Rio- A aproximação do preço do C-Bond, o mais negociado título da dívida externa brasileira, de 100% do seu valor de face está criando uma situação complexa para os operadores deste mercado. O governo tem o direito de resgatar os títulos, emitidos em 1994, em cada data de pagamento de juros (15 de abril e 15 de outubro). Ocorre que, desde a emissão, o C-Bond sempre foi negociado com deságio, isto é, por um preço inferior ao seu valor de face. Desta forma, o governo nunca cogitou em recomprar por 100% algo que estava sendo oferecido no mercado secundário por um porcentual menor do seu preço oficial.
Agora, pela primeira vez, o C-Bond está muito próximo ao valor de face - fechou ontem a 99,375%. Se estiver cotado a 100% ou mais do valor de face em 15 de abril, pode fazer sentido para o governo brasileiro resgatar estes títulos, o que significa recomprá-los e tirá-los definitivamente do mercado (ontem, o Banco Central recusou-se a explicar se o resgate teria de ser total, isto é, abrangendo os US$ 6,5 bilhões em C-Bonds detidos pelos investidores, ou se poderia ser parcial). O vencimento do C-Bond é em abril de 2014.
A possibilidade de o governo resgatar o C-Bond, naturalmente, influencia o seu preço. Teoricamente, o título pode ser negociado com ágios substanciais, bem acima do seu valor de face. O bônus global do Brasil com vencimento em 2040, por exemplo, fechou ontem cotado a 113% do seu valor de face. Se isto ocorresse com o C-Bond, equivaleria a os compradores aceitarem uma redução no juro contratual de 8% ao ano (comprando mais caro do que o preço oficial, a rentabilidade cai).
Para um investidor, porém, seria um péssimo negócio comprar um C-Bond a - por exemplo - 110% do seu valor de face agora, e ser obrigado a revendê-lo para o governo brasileiro por 100% em 15 de abril.

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