Valor pode cair para menos de R$ 3,00
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Sérgio Ripardo<br>Agência Folha 
São Paulo - Dólar abaixo de R$ 3,00. Esse cenário é possível, já que o mundo voltou a emprestar dinheiro às empresas e bancos brasileiros, mas duraria pouco, diz Emílio Garófalo, ex-diretor do Banco Central (BC) e um dos principais especialistas em câmbio e comércio exterior do País.
Ele não está sozinho nessa avaliação. Relatório do banco americano de investimentos Goldman Sachs cogita o dólar a R$ 2,37 como taxa de equilíbrio no final do ano.
''O Brasil não quebrou, como esperava antes das eleições o George Soros (megainvestidor americano julgado por especulação). Agora, o mercado exagera nas expectativas otimistas em relação à nossa economia'', afirma Garofalo.
A avaliação externa sobre a política do País melhora a cada dia, segundo o ex-diretor do BC.
''A aprovação da emenda que regulamenta o sistema financeiro, ontem na Câmara, sinalizou para o mercado que o novo governo tem o poder de aprovar as reformas tributária e previdenciária. Isso permite que o dinheiro dos estrangeiros volte ao País.''
Para o especialista, o governo tenderia a adotar medidas para evitar a permanência do dólar abaixo dos R$ 3. Uma delas seria começar a comprar lotes da moeda para recompor as reservas internacionais, queimadas desde a crise argentina em 2001.
''Desde o final de 2000, o Banco Central não compra dólares. As reservas internacionais líquidas ajustadas (sem incluir os recursos do FMI) estão em US$ 17 milhões, menor nível desde 1992'', diz Garófalo.
Segundo ele, o dólar abaixo de R$ 3,00 prejudicaria as exportações, pois tornam os produtos brasileiros mais caros no exterior inibindo os embarques. No primeiro trimestre, a balança comercial (exportações menos importações) acumulou superávit de US$ 3,1 milhões. Em março, as exportações bateram recorde (US$ 5,239 bilhões).
Garófalo considera que o dólar a R$ 3,20 é um ponto de equilíbrio para o comércio exterior, ou seja, esse nível garante a atratividade dos produtos brasileiros no exterior e não desestimula tanto as importações de insumos pela indústria.


