São Paulo Os brasileiros ficaram mais pobres que os argentinos? Não é correto afirmar isso. Desde ontem, o real vale nominalmente menos que o peso. No mercado cambial argentino, o dólar fechou ontem cotado a 3,70 pesos, enquanto no Brasil a cotação foi de R$ 3,78.
Mas o que tem de ser considerado é o valor real da moeda. Ou seja, seu poder de compra. Para isso é preciso levar em conta as taxas de inflação brasileira, argentina e norte-americana.
Imagine que uma garrafa de Coca-Cola custe 2 pesos na Argentina. Se a mesma garrafa custasse R$ 3,78 no Brasil significaria que, mesmo com uma taxa de câmbio nominal maior, o real estaria menos desvalorizado do que o peso argentino. Isso porque, em dólares, a garrafa de Coca-Cola custaria US$ 0,52 na Argentina enquanto que um brasileiro desembolsaria o equivalente a US$ 1 pelo mesmo produto.
Fazer a comparação entre taxas de câmbio reais e poder de compra de moedas é difícil porque seria preciso encontrar um grande número de produtos idênticos.
Mesmo quando escolhemos dois produtos aparentemente idênticos, é difícil comprar seus preços porque impostos e diferenças de salários podem fazer com que os custos de produção do mesmo produto em cada país sejam muito diferentes.
Assim, para economistas, o ideal antes de afirmar qual moeda está mais desvalorizada em termos reais seria montar uma cesta de produtos similares e verificar o preço dela no mercado argentino e no Brasil.

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