Valor é apenas 7% do investimento
A Ferroeste deverá ser repassada ao controle privado pelo valor do lance mínimo do leilão de R$ 25,661 milhões. A construção da Ferroeste custou ao Tesouro do Estado R$ 363,6 milhões. A privatização por um valor correspondente a apenas 7% do capital público investido na ferrovia, causou polêmica na Assembléia Legislativa do Paraná. A reação dos deputados aconteceu depois de reportagem publicada pela Folha, há dois meses.
O secretário de Transportes, Deni Schwartz, e o presidente da Ferroeste, Osíris Stenghel Guimarães, foram chamados pelos deputados para explicar os motivos pelos quais a ferrovia está tendo a sua operação privatizada por um preço simbólico em relação ao investimento público.
Uma das explicações dá conta de que a Ferroeste jamais seria vendida pelo seu preço real. Os dirigentes da ferrovia lembram que a Malha Sul da Rede Ferroviário Federal, com seus 6,5 mil quilômetros de trilhos, 337 locomotivas e 9,7 mil vagões, teve seu preço mínimo fixado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em R$ 158 milhões. A Malha Sul vai a leilão dia 13.
Além disso, os dirigentes explicam que a ferrovia não será vendida e sim arrendada por 30 anos. A concessão continua com o Estado e a União.
Um outro ponto importante na formulação do preço da Ferroeste levou em conta os investimentos que o novo concessionário deve realizar na compra de material rodante e na readequeação de um trecho de 257 quilômetros da RFFSA entre Guarapuava e o Desvio Ribas, em Ponta Grossa. O novo concessionário terá que entrar com 50% do capital previsto em R$ 12 milhões, conforme está previsto no edital.
O vencedor do leilão irá assumir em fevereiro a operação da ferrovia que vai contar com 20 locomotivas e 300 vagões que estão sendo recuperados pela RFFSA e que podem transportar até um milhão de toneladas ao ano.
Para o novo concessionário atender a demanda prevista em 4,6 milhões de toneladas por ano, o operador terá que investir R$ 116 milhões na compra de 60 locomotivas e 732 vagões.





